Um griô é aquele que, dentro da cultura africana, tem o dom de narrar algo com maestria. Ele vale tanto para os atores quanto para os contadores de estórias. Se Elisa Lucinda pudesse ser definida em uma única palavra, o termo seria sua mais perfeita tradução. E será como uma griô que a atriz, escritora, cantora e performer (ás em cada uma dessas facetas) vai se apresentar em seu mais novo espetáculo – e no qual a artista capixaba celebra seus 40 anos radicada no Rio de Janeiro.
E, não por acaso, Elisa volta ao formato intimista que pautou suas primeiras aparições na cidade, em locais – muitos deles hoje de saudosa memória – como o Querelle, o Botanic (ô, saudade…) e o Madrugada, casa do ator Rodolfo Bottino (1959-2011). O palco em questão é o do Manouche, o simpático clube da Casa Camolese, no Jardim Botânico.
É lá onde, a partir deste domingo (03) e nos outro quatro do mês, Elisa vai apresentar “Ensaio para uma ideia, o improviso da griô”. E, com o projeto, ela resgata uma formação comum naqueles happenings dos anos 1980: a de power trio. A estrela sobe ao palco acompanhada por Glaucus Linx (sax) e Sandro Lustosa (percussões).
E a cada vez que Elisa está em cena, o tempo e o mundo parecem parar para, silentes, ouvirem-na. E assim será nos cinco domingos deste mês. Nos minutos em que essa griô estiver no palco – seu habitat natural – ao menos.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Jonathan Estrella (imagem)





