Quem disse que fé e estilo não podem caminhar lado a lado? Conhecido por estampar a imagem de São Jorge em suas criações, o estilista Beto Neves transformou devoção em identidade estética. Nesta quarta-feira (23), quando se celebra o dia do santo — feriado no Rio de Janeiro —, ele relembra como essa relação atravessou a vida pessoal até chegar às passarelas.
A conexão vem de longe. Nascido em 24 de abril, um dia depois da data dedicada a São Jorge, Beto cresceu cercado pela figura do guerreiro.
— Acredito que nasci olhando para São Jorge. Na minha casa tinha um quadro dele na parede — conta Beto ao NEW MAG.
Mas foi só anos depois que a fé encontrou espaço direto no trabalho. O ponto de virada veio em 2000, durante um concurso de novos designers:
— Foi o primeiro embate, a primeira luta. Eu usei o São Jorge como referência dessa proposta, que era a luta contra a mesmice na moda masculina. O dragão, para mim, representava o preconceito na moda. E o São Jorge entrou como esse enfrentamento.
Ao levar o santo para a passarela, o estilista acabou mudando percepções. São Jorge, para ele, se tornou ícone da moda:
— De repente, aquilo que era visto como coisa de subúrbio foi parar na vitrine, no caderno de comportamento. Eu dei uma certa glamourizada nisso. O São Jorge virou pop. Como Che Guevara, Mickey, Madonna… Ele foi muito além da religiosidade.
Hoje, Beto mantém o foco na moda masculina, com camisas, camisetas e acessórios que carregam mais do que estética.
— Eu vendo essa experiência de fé, de acreditar em alguma coisa, independente de religião.
Filho e neto de costureiras, ele começou cedo na moda e fundou, em 1994, a marca Complexo B, consolidada ao longo dos anos com um olhar voltado ao conforto, ao humor e à identidade carioca. Com passagens pelo Fashion Rio, também atua como professor, consultor e incentivador de novos talentos.
— Me sinto um soldado de Jorge. É uma parceria — arremata.
Créditos: Bruno Nunes (texto e entrevista) e reproduções Internet e Instagram (imagens)






