“Eu, na verdade, vivo muito mais preocupado com os projetos do futuro do que propriamente com o passado”. A frase traduz bem o ímpeto de um político movido por ideais progressistas e humanistas. Seu nome? Leonel de Moura Brizola (1922-2004). E ela está entre as falas de depoimento, gravado em 1996, e até então inédito que vem à baila em um livro.
“Leonel Brizola por ele mesmo” (Editora Insular) é organizado pela advogada e ex-deputada Juliana Brizola, uma das netas do caudilho, juntamente com a jornalista e pesquisadora Rejane Guerra. E o lançamento agitou, na noite da última quarta-feira (08), a Livraria da Travessa do Shopping Leblon, Rio de Janeiro.
A fila para os autógrafos quase chegou à entrada da livraria. E pelo evento passaram pessoas afinadas com o pensamento de Brizola, entre artistas, profissionais de imprensa, políticos e ex-políticos, que, neste último caso, conheceram ou trabalharam com o ex-governador. A atmosfera era a de reverência ao legado e ao pensamento daquele que acreditou na educação como ferramenta para legitimar o Brasil como nação.
Paulo Betti e o jornalista Bernardo Mello Franco rememoraram, ali na fila, episódios do primeiro debate presidencial pós-ditadura realizado, em 1989. O pleito reuniu figuras como Ulysses Guimarães (1916-1992), Mário Covas (1930-2001), candidato do então novato e hoje apagado PSDB, e nomes que estão aí, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (que enfrentou Fernando Collor no segundo turno) e o hoje novamente pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado.
Eram tempos de opiniões contundentes, debates inflamados e de declarações sem meias palavras, num país ainda longe da polarização de hoje, fomentada por inverdades que pululam em aplicativos e nas redes sociais.
E o livro chega num momento em que o Poder Executivo estadual está, na falta de nomes para a sucessão direta, entregue ao desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Nada é por acaso, dirão os irônicos de plantão.
Se o cenário político não é em nada animador, resta-nos os livros para, através deles, resgatamos o legado de figuras que fizeram (ou tentaram fazer) a diferença na política. Que eles reacendam a esperança, a “aérea esperança” do poema de Bandeira que seja.
Aérea, pois não.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Cristina Granato (imagens)














