‘Quis trazer o que vivi’

abril 8, 2026

Cássia Eller é celebrada no novo álbum de Júlia Vargas, apontada como a mais potente voz feminina da nova geração

Cantora cujo timbre fez dela única em seu ofício, Cássia Eller (1962-2001) influenciou um séquito de novas cantoras a partir do seu surgimento na cena musical, onde brilhou ao longo de 11 anos, desde o lançamento de seu CD de estreia, em 1990. A cantora Júlia Vargas é uma dessas vozes que merecem ser apontadas como a de uma discípula à altura de Cássia.

E natural que Júlia renda uma homenagem à Cássia no seu mais novo álbum. A cantora recria “Maluca”, de Luís Capucho, em “D’água”, álbum que chega às plataformas nesta sexta-feira (10) pela Biscoito Fino.

A canção fora lançada originalmente por Cássia naquele que acabou sendo seu derradeiro álbum de estúdio, “Com você… meu mundo ficaria completo” (1999). E a nova gravação conta com a participação daquela que, além de sua companheira de geração, foi sua amiga desde quando começaram a labutar na música: Zélia Duncan.

— Convidei a Zélia porque, antes de mais nada, ela é um abraço, um acalanto aos corações. E também por ter sido muito amiga da Cássia. Quando gravamos, me emocionei como se a Cássia estivesse lá – recorda-se Júlia.

ZD, como é afetuosamente chamada pelos mais chegados, não é a única participação em “D’água”. Roberta Sá faz bonito (e não poderia ser diferente) em “Sinceramente”, de Khrystal e de Moyseis Marques.

Terceiro álbum solo gravado pela artista em estúdio, “D’água” traz ainda outras recriações, a de “Comportamento geral”, de Gonzaguinha (1945-1989), e a de “Flor lilás”, de Luhli (1945-2018). Júlia solta sua verve de intérprete ainda em “Bomba”, de Nicolas de Francesco e Alisson Sant.

— ‘D’Água’ fala sobre o amor doído, o amor esperançoso, mas também tem manifesto e música enquanto protesto político – define a cantora destacando ainda o caráter confessional do projeto: — Quis trazer à tona todos os sentimentos que vivi no tempo em que construí o álbum.

Álbum que pode ser considerado o mais autoral da artista. Como intérprete, Júlia sempre emprestou seu vozeirão a nomes consagrados e a outros tantos da sua geração. A verve de compositora manifesta-se em “Pavio”, parceria com Duda Brack, “Vem” e “Atrás da cortina da pantera”, estas apenas de Julia.

— Agora estou começando a trazer as minhas canções, movimento novo na minha história. Sempre tive uma timidez muito grande para falar sobre mim, sobre coisas que vivi. Tenho referências tão fortes, de poetisas e poetas incríveis, que, quando começava a compor, achava tudo pequeno, bobo. Depois fui entendendo que a minha maneira de compor tem a sua beleza também – arremata a intérprete.

Beleza que faz-se evidente no timbre desta que, sem sombra de dúvidas, pode ser apontada como a dona de uma das vozes mais potentes da sua geração. Deste “D’água” vocês podem beber sem susto.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e reproduções/internet (fotos da montagem no alto)

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