Elas estarão juntas no palco pela primeira vez. Claudia Ohana e Priscila Fantin vão estrelar a montagem “As amantes de George Washington”, que estreia na quinta-feira (09) no Teatro BDO Jaraguá, em São Paulo.
Apesar de terem feito parte do elenco da novela “As filhas da mãe” (2001), as duas não contracenavam diretamente — estavam em núcleos diferentes. Agora, as atrizes vão se encontrar em cena em um embate íntimo e emocional.
Na peça, escrita por Miro Gavran e com adaptação e direção de Darson Ribeiro, Claudia vive Martha Washington, enquanto Priscila interpreta Sylvia Carver, suposta amante do primeiro presidente dos Estados Unidos. A trama parte de um encontro ficcional entre as duas, um mês após a morte de George Washington, quando a viúva decide encarar a rival.
— A peça conta a história de duas mulheres enlutadas que se veem sem perspectiva pela morte do homem amado. Traz diálogos muito precisos concentrados nas consequências de um ciúme e um rancor quase doentio, expondo temas como amor, solidão e a tensão entre a história pública e a verdade pessoal muito pertinentes aos acontecimentos políticos brasileiros — afirma Darson.
Ao pensar a encenação, o diretor optou por destacar o luto não só na narrativa, mas também na forma.
— A montagem explora o luto na cenografia e nos figurinos, numa estética quase ‘noir’, respeitando a época da trama no século XVIII, mas sem qualquer rigor histórico, mergulhando fundo na vida íntima, muitas vezes dolorosa e contraditória do primeiro presidente dos EUA, através dos olhos das duas mulheres que o amaram — explica o diretor.
Leitor antigo da obra de Gavran, Darson conta que o interesse pelo texto foi imediato:
— Gostei de cara do texto pela elaboração das palavras em diálogos precisos e elegantemente ácidos.
A encenação aposta em um visual minimalista, com predominância do preto e branco e poucos elementos sonoros, reforçando o clima de luto e tensão.
— A única cor será a surpresa da montagem trazendo de certa forma, alívio e esperança àquelas duas mulheres que passaram anos lutando pelo mesmo homem — arremata.
Encenada desde 1988 em mais de 30 países, a obra chega agora ao Brasil com uma leitura que coloca frente a frente duas versões de uma mesma história — e dá a elas, finalmente, o protagonismo.
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