Pioneira da videoarte, Sonia Miranda abriu exposição no Rio de Janeiro. Reunindo 13 instalações e vídeos — muitos deles inéditos no Brasil — a mostra “Sonia Miranda Video Pioneer / Deserto de Emoções” ocupa o Espaço Cultural IBLHA, no Centro da cidade.
Aberta no último fim de semana, a exposição acompanha a trajetória da artista que atravessa cinco décadas de experimentação audiovisual. Radicada em Nova York, Sonia veio ao país especialmente para a abertura. Sua produção acompanha as transformações tecnológicas que impactaram a arte e o cinema a partir do surgimento das câmeras portáteis, criando uma linguagem própria ao longo dos anos. Em sua trajetória, dialogou com nomes como Jorge Salomão (1946-2020), com quem foi casada, além de Hélio Oiticica (1937-1980), John Cage (1912-1992) e Yoko Ono.
O percurso expositivo inclui trabalhos como “Three Videos Poems”, “Budah-Dada”, “Urban-Dada”, “Pecan Pie Poems”, “Where is South America?”, “Candomblé”, “Transe” e “I’m a Dancer”, além de retratos como “Yoko” e “John Cage Interview”. A instalação “Deserto de emoções” conduz a experiência da mostra, que propõe um mergulho entre imagem, som e sensações.
Ainda nos anos 1970, Sonia já se destacava como uma das primeiras artistas brasileiras a explorar a videoarte, participando da 14ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1977. Décadas depois, seu trabalho segue em circulação internacional, com passagens por exposições como “This Must Be the Place: Latin American Artists in New York, 1965–1975”, apresentada em 2021.
A abertura reuniu convidados como a jornalista Kati Pinto, a cantora Patrícia Mellodi, o fotógrafo Marco Rodrigues, entre outros nomes. O artista plástico e curador do espaço Alexandre Murucci também marcou presença.
Além da exposição, Sonia participa de um encontro com o público no dia 26, antes de retornar a Nova York. Uma oportunidade de acompanhar de perto o percurso de uma artista que ajudou a abrir caminhos na videoarte — e segue produzindo até hoje.
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