Marina Lima está com tudo pronto para o lançamento de seu novo álbum, o “Ópera Grunkie”, com o qual celebra seus 70 anos — completados em setembro. O projeto chegará às plataformas digitais nesta terça-feira (24), abrindo uma nova fase na trajetória da artista, que ainda prepara uma turnê comemorativa para este ano.
Dividido em três atos, o trabalho mergulha em uma construção conceitual que mistura música, poesia e colaborações diversas. A própria Marina define o ponto de partida do projeto:
— Escolhi “Ópera Grunkie” para o nome do álbum porque, além dele ter uma estrutura meio de ópera, fala do universo de gente com quem mais gosto de estar. Eu já havia dedicado o filme “Uma garota chamada Marina” aos grunkies: pessoas livres, inteligentes, que não pagam o preço da fama; gente talentosa e corajosa que aceita as diferenças — diz a artista, relembrando o documentário sobre seus mais de 40 anos de carreira.
A ideia de “grunkie”, aliás, atravessa o disco como identidade e conceito. Popularizada pela cantora, a expressão representa uma espécie de tribo afetiva e artística que também ganha voz no álbum — literalmente. Em “Collab Grunkie”, por exemplo, aparecem nomes como Fernanda Montenegro, Mano Brown e Joyce Pascowitch entre as participações vocais.
— Resolvi fazer uma homenagem carinhosa aos “grunkies” e a partir disso chamei Laura Diaz (vocalista da banda Teto Preto) para embelezar, sensualizar, e abrasileirar a faixa. Renato Gonçalves e eu escolhemos os samples, e termino com um trecho de uma conversa minha no WhatsApp com Fernanda Montenegro, a maior de todas. A tribo dos grunkies é imensa — explica a cantora.
O primeiro ato do álbum é atravessado por uma dimensão mais íntima e emocional, especialmente nas faixas “Grief-stricken” e “Perda”, que dialogam com a ausência do irmão, o poeta Antonio Cicero (1945-2024).
— “‘Grief-stricken’ (de Antonio Patriota) é o momento que escolhi para representar o meu choque, diante da decisão de meu irmão Cicero em partir. Fui pega de surpresa e tomada pela dor. E de uma admiração ainda maior por ele — afirma Marina, que prossegue: — “Perda” completa este ato. Com a poesia do Cicero dita pelo professor Fernando Muniz e os imortais da ABL, em cima de uma música instrumental do duo paraense Strobo, busquei dar uma dimensão emocionante e eterna da obra do meu irmão.
A canção “Meu poeta” surge como uma resposta afetiva dentro dessa narrativa:
— É sobre nós dois. Uma declaração de amor ao Cicero, à nossa união, cumplicidade, leveza, ambição e alegria. Juntos.
O álbum ainda reúne Adriana Calcanhotto e Ana Frango Elétrico entre as participações. Em “Chega pra mim” — música composta por Márcio Tinoco e pela própria Marina —, o encontro com Adriana ganha um tom especial.
— Esta parceria com Marcio tem alguns anos, é pouco conhecida, mas chegou a ser gravada por Leila Pinheiro. Sempre gostei muito da canção e intuí que Adriana também iria curtir. Não deu outra. Adriana amou e foi uma emoção gravar com ela — arremata a cantora.
Crédito da imagem: André Hawk





