‘O trabalho ficou mais consciente’

março 12, 2026

Toz fala sobre completar 50 anos de vida e abre exposição com a qual também celebra 30 anos de carreira nas artes

Toz está cheio de motivos para comemorar. O artista visual inaugura no domingo (15) a exposição “Ciclo”, na Galeria Movimento, no Rio de Janeiro — exatamente no dia em que completa 50 anos. A mostra celebra também seus 30 anos de carreira e marca um momento de síntese e transformação em sua trajetória.

Com curadoria de Paula Mesquita, a exposição reúne trabalhos que refletem essa fase mais madura da produção de Toz, marcada por um olhar mais concentrado sobre forma, ritmo e repetição. Conhecido por ter iniciado sua trajetória no grafite e na arte urbana, o artista construiu ao longo de três décadas um vocabulário visual que mistura gesto, cor e narrativa, expandindo-se da rua para a pintura, a escultura e o espaço expositivo.

— Tudo vira círculo para mim. A repetição faz parte do meu processo. É insistindo que as coisas mudam — afirma Toz.

Em “Ciclo”, essa repetição aparece nas pinturas formadas por séries de círculos organizados em campos cromáticos vibrantes. As linhas são feitas à mão livre, sem simetria rígida ou precisão matemática, preservando o gesto do artista e incorporando o erro como parte da linguagem.

A forma circular também dialoga com personagens que marcaram a obra de Toz, como Nina, Shimu e o Vendedor de Alegria — figura inspirada nos vendedores ambulantes de bolas coloridas nas praias brasileiras. Ao longo dos últimos anos, o artista vem desconstruindo esse personagem até chegar ao seu núcleo formal: o círculo.

— Essa passagem não é um rompimento, é uma continuidade mais profunda. Tem a ver com um tempo maior no ateliê, com mais concentração, mais reflexão e rigor no processo. Quando eu era mais novo, queria fazer tudo ao mesmo tempo. Hoje, o ritmo é outro, o trabalho ficou mais consciente — diz o artista.

A pesquisa formal da exposição também ultrapassa o plano das telas. Em “Ciclo”, os círculos ganham tridimensionalidade e aparecem em esculturas em formato de meia-esfera que ocupam o chão e as paredes da galeria, criando uma relação direta com o espaço e com o espectador.

Essa expansão da linguagem dialoga com a própria trajetória do artista, que já realizou murais, instalações e intervenções em cidades como Paris, Madri e Hong Kong, além de projetos apresentados em instituições como a Organização das Nações Unidas, em Genebra.

A relação entre repetição, disciplina e formação também aparece em outra frente da vida do artista: há cerca de dez anos, Toz desenvolve no Rio de Janeiro o Projeto Paz, iniciativa voltada à formação esportiva de crianças e jovens por meio do jiu-jitsu no Morro do Salgueiro e em Santa Teresa.

— O envolvimento social sempre fez parte da minha vida. O grafite me levou para lugares esquecidos pelo poder público e pela sociedade, e foi ali que meu trabalho se formou. Depois, o jiu-jitsu entrou como um caminho de disciplina e cuidado. A repetição, o respeito e a constância transformam o corpo e a vida — completa.

Crédito da imagem: divulgação

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