Brilho inabalável

março 7, 2026

Claudya celebra seis décadas de carreira cercada por talentos de diferentes gerações em noite histórica

Se a geração Z encontrou no Brasil uma indústria (e uma agenda) consolidada de musicais, é importante dizer que tal cenário era inimaginável nos anos 1970. E uma cantriz foi crucial para pavimentar esse caminho juntamente com outras como Bibi Ferreira (1922-2019) e Marília Pêra (1943-2015). A artista em questão é Claudya, nome que, entre tantos feitos, interpretou com maestria o papel-título na montagem brasileira do musical “Evita”.

A cantriz celebra seis décadas de carreira no palco, seu lugar por direito. E cercada por timbres de diferentes coloraturas como os de Alaíde Costa e Patrícia Marx, duas belas vozes da nossa música, e por dois representantes da nova cena musical: Airton Montarroyos e Zé Ibarra, em novo layout devido à cabeleira mais curta.

O pontapé inicial da turnê “Deixa eu dizer” foi dado na noite da última sexta-feira (06), na Casa Natura Musical, em São Paulo, em noite que contou ainda com a participação da cantora Grazi Medori, filha de Claudya e grande entusiasta da iniciativa juntamente com o produtor Tiago Jr.

‘Não confie em ninguém com mais de 30 anos/ Não confie em ninguém com mais de 30 cruzeiros”. Assim reza a letra de “Com mais de 30”. A canção, gravada originalmente por Claudya e por Marcos Valle, foi reavivada com brilho pela artista em duo com Patrícia Marx. E a veterana demonstrou não seguir o recomendado na canção. Ainda bem. À exceção de Ibarra (29 anos), os demais convidados já passaram dos 30 e são todos dignos de confiança.

“Dindi” (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira) foi o tema escolhido para Claudya e Alaíde irmanarem suas vozes. Ibarra e a anfitriã encontram-se em “Como 2 e 2”, de Caetano Veloso, presente também no roteiro com “Esse cara”, que não poderia ficar de fora do tributo.

Já Montarroyos deu aquele colorido a mais a “Ipanema Leblon” (Sérgio Fayne/Vitor Martins). E todos eles uniram-se em “Chega de saudade” (Tom Jobim/Vinicius de Moraes) preparando o terreno para o grand finale com “Deixa eu dizer” (Ivan Lins/Ronaldo Monteiro de Souza), canção-título da turnê, que chegará ao Rio de Janeiro em maio.

Claudya completa 60 anos de carreira com vigor, savoir vivre e com aquele sangue nos olhos com que, sob a direção de Ronaldo Bôscoli (1927-1994), estrelou o hoje histórico e provocativo show “Quem tem medo de Elis Regina”.

Ela podia até ter, mas nunca demonstrou temor, a absolutamente nada, aliás. E, por isso, fez o que fez. E merece ser aplaudida e reverenciada por sua trajetória.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto), Alison Sales (imagens) e reprodução/instagram (foto camarim)

Claudya entre Montarroys, Ibarra e Patrícia Marx
Grazi Medori canta com sua mãe
Farra no camarim: Montarroys, Ibarra, Claudya e Marx

 

 

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