‘Ideias geram comportamento’

março 4, 2026

Rafael Portugal entra na luta contra perfis “red pill” e reacende debate sobre discursos misóginos propagados nas redes

O riso deu lugar à reflexão. Com quase 8 milhões de seguidores, o humorista e apresentador Rafael Portugal compartilhou em uma rede social, na última terça-feira (03), uma campanha que faz um alerta direto contra homens que se autointitulam “red pill”.

Em uma das imagens, o texto diz: “Pare de seguir homem que se autointitula ‘red pill’. Não dê palco. Chega.” O material reforça: “Não é conteúdo inocente. Não é só opinião. Não é só ‘zoeira’. Ideias geram comportamentos. Discursos geram cultura. Cultura gera frutos. E a gente sabe muito bem quais frutos isso tem gerado.” 

O termo “red pill”, apropriado por comunidades online, passou a identificar grupos que defendem a ideia de que homens estariam sendo prejudicados por avanços das pautas femininas e de igualdade de gênero. Em muitos casos, esses perfis promovem conteúdos que reforçam papéis tradicionais rígidos, defendem a submissão feminina e tratam relacionamentos sob uma lógica de hierarquia e disputa de poder.

E o artista conclui com um chamado direto sobre o papel da audiência nas redes: “Quando você segue, você fortalece. Quando você compartilha, você amplia. Quando você ri, você normaliza. Corta o alcance. Não consome. Não divulga. O que não recebe palco, enfraquece.”

Outras personalidades têm alinhado suas vozes contra o termo, sobretudo após o episódio de estrupo coletivo contra uma jovem em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.  E NEW MAG elenca perfis que já foram associados, em debates públicos nas redes, a esse universo de discurso.

Entre eles está o coach e influenciador Thiago da Cruz Schoba, conhecido como Thiago Schutz, ou “Calvo do Campari”. Referência no movimento red pill, no fim do ano passado ele chegou a ser preso em flagrante em Salto (SP), após ser acusado pela namorada de agressão e tentativa de forçar relação sexual, sendo liberado após audiência de custódia para cumprir medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. O caso teve grande repercussão e acendeu debates sobre o tipo de masculinidade promovida por influenciadores digitais.

Outro nome é Ricardo Thomé, escritor e palestrante responsável pelo projeto Conselho nas redes sociais. Com mais de 37 mil seguidores no Instagram, ele produz conteúdos sobre masculinidade, relacionamentos e desenvolvimento pessoal masculino, frequentemente associados à cultura red pill e ao resgate de papéis tradicionais de gênero.

Também aparece nesse cenário Junior Masters, apresentador do podcast “Redcast”, com mais de 190 mil seguidores no Instagram. Seu conteúdo é voltado ao público masculino e aborda temas ligados a relacionamentos e posicionamento dos homens na sociedade contemporânea, em diálogo com ideias difundidas pelo movimento.

Bruno Giglio, que se apresenta como lifestyle coach, compartilha dicas de desenvolvimento pessoal e sedução. Ele mantinha o canal Social Arts no YouTube, que saiu do ar após denúncias por conta de seu conteúdo. Seu material girava em torno de estratégias de conquista e comportamento masculino.

Por fim, Tallis Gomes, fundador da G4 Educação e ex-CEO, esteve no centro de uma polêmica em 2024 ao declarar em seus stories a frase “Deus me livre de mulher CEO”, defendendo que mulheres deveriam priorizar a construção do lar em vez de ocupar cargos de alta liderança. A fala foi amplamente criticada por reforçar estereótipos de gênero.

Crédito da imagem: reprodução / Internet

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