
Uma monarca que quebrou protocolos e, com isso, reaproximou súditos de um sistema então degastado. Uma personalidade que usou de sua imagem a favor das pesquisas científicas, da inclusão social e da paz no planeta. Todas as definições acima valem para Diana Frances Spencer (1961-1997), ou simplesmente Lady Di como ficou mundialmente conhecida. Parte da trajetória da princesa que abriu mão do título em prol da própria liberdade é contada num musical cuja versão brasileira estreou no Rio de Janeiro.
E uma profusão de famosos conferiu, na noite da última segunda-feira (02), a sessão para convidados de “Diana – A princesa do povo”, dirigido com apuro pelo sempre competente Tadeu Aguiar a partir das criações originais de David Bryan (músicas) e Joe DiPietro (texto e letras).
Pouco antes de a apresentação começar, o foyer do Teatro Multiplan, na Barra da Tijuca, reunia a paisagista e artista visual Maritza de Orleans e Bragança, princesa do Brasil (que falou com o site aqui), acompanhada pela filha, Ana Thereza, a estrelas como as atrizes Vera Fischer, Rosamaria Murtinho (acompanhada da neta com quem vai trabalhar no teatro) e Lucinha Lins; a diva pop Fernanda Abreu, a jornalista Fátima Bernardes e galãs como Junno Andrade, Gabriel Godoy e Rainer Cadete, reunidos ali pelo casal de empresários e promoters Liège Monteiro e Luiz Fernando Coutinho.
Os autores do musical optaram por centrar a trama na tomada de consciência de Diana a partir da crise conjugal com (o hoje rei) Charles, num recorte temporal que vai de 1980 a 1997. Conflitos são fundamentais no teatro e a trama poderia – ainda mais num tempo em que superproduções como “Bridgerton” dominam os assuntos – se aprofundar no jogo político que pauta acordos monárquicos, mas não. E o resultado é, a grosso modo, um conto de fadas com verniz açucarado. É aí que a inteligência cênica e o talento de Tadeu Aguiar fazem TODA a diferença.
Tadeu Aguiar é hoje o mais competente diretor de musicais da cena teatral brasileira. E um de seus trunfos está no fato de ele próprio assinar as versões das canções. Ao inserir nelas gírias, cacos e até mesmo palavrões ele dá à narrativa o choque de realidade necessário para a trama tornar-se atraente ao espectador.
Outro trunfo do diretor está na escolha do elenco – primoroso. Simone Centurioni dá a sua Elizabeth II a sobriedade e a polidez que a fazem totalmente verossímil. Sara Sarres, que veio dos EUA para interpretar Diana, acerta ao trilhar de forma crível o caminho entre a ingenuidade e o empoderamento. E Claudio Lins, intérprete do Charles, merece uma explanação à parte.
Filho do cantor e compositor Ivan Lins e da cantriz Lucinha Lins, Claudio transitou desde muito cedo entre a música e a interpretação. E, aos 53 anos, é um dos mais bem preparados atores de musicais em atividade. Do canto à interpretação, tudo nele está equilibrado na justa medida, num resultado que mostra o quão meticuloso ele é naquilo a que se propõe.
O espetáculo cresce – e muito – a partir do segundo ato. Ali, a trama ampara-se na verve humanitária da personagem-central. E um dos seus ápices está na cena em que, em fins dos anos 1980, Diana visita um centro de acolhimento a pacientes HIV soropositivos, mostrando o quão importante ela foi ao tirar da invisibilidade todos aqueles – gays e héteros – tocados pelo vírus.
Teatro é intenção e resultado. E pode acontecer de a intenção ser boa, e o resultado, aquém. E, neste caso, aquele “molho de abafar” do brasileiro faz a diferença. E um exemplo célebre está no que Miguel Falabella fez com “Os monólogos da Vagina”, quando a versão brasileira supera a original. E isso também se dá com “Diana – a princesa do povo”. E os louros vão para o aguerrido elenco e para seu diretor, que alia competência e sensibilidade na justa medida.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Cristina Granato (imagens)





























