‘Me pego sendo Paulo em cena’

fevereiro 28, 2026

Rodrigo Pandolfo brilha no teatro, fala sobre solidão e exalta a influência de Paulo Gustavo em sua carreira

Rodrigo Pandolfo segue brilhando no teatro. O ator está em cartaz no Teatro Poeirinha, no Rio de Janeiro, com “Coyote”, texto do premiado autor escocês Eric Coble, que mistura realismo fantástico e teatro do absurdo para falar de solidão, meio ambiente e das fissuras da vida urbana. As últimas sessões acontecem neste sábado (28) e domingo (1º de março).

Na peça, dirigida e protagonizada pelo artista ao lado de Karen Coelho, Rodrigo vive Tony, um homem desempregado e desiludido que vê sua rotina atravessada pela misteriosa aparição de um coiote na escadaria do prédio onde mora. A partir desse encontro improvável, nasce uma cumplicidade que transforma completamente sua vida. O impacto do texto para o ator foi imediato.

— Quando li Coyote pela primeira vez, a coluna se elevou, a pupila dilatou, o peito abriu e o corpo se encheu de entusiasmo. Quando é assim, não há dúvidas. Era o texto que eu estava buscando — conta Rodrigo ao NEW MAG.

A conexão com seu personagem em “Coyote”, segundo ele, é também pessoal:

— A questão ambiental sempre apitou alto dentro de mim. A solidão também é algo que eu conheço bem, desde muito menino. Falar sobre esses temas através do humor e do absurdo, me eleva e me emociona.

O projeto celebra ainda 25 anos de parceria entre Rodrigo e Karen, que começaram juntos no teatro em 2001 e vinham há tempos em busca de um texto que os levasse definitivamente ao território do absurdo.

— Eu e Karen fomos da mesma turma, nos formamos juntos e, de lá pra cá, sempre nos acompanhamos de perto. Passamos alguns anos em busca de um texto e o teatro do absurdo sempre esteve à espreita. Um gênero que, de certa forma, nos persegue desde os tempos da escola, porém, ainda não tínhamos encontrado o nosso caminho dentro dele. De repente, o caminho nos encontra: esse texto cai nas nossas mãos, apresentado pelo Kiko Mascarenhas, nosso amigo amado. Que presente!

Conhecido do público brasileiro por viver o personagem Juliano na franquia de filmes “Minha mãe é uma peça”, protagonizada por Paulo Gustavo (1978-2021) como a eterna Dona Hermínia, Rodrigo também revisita a influência do colega — que neste ano completa cinco anos de sua morte.

— Posso dizer com muita convicção: o Paulo Gustavo foi um grande mestre do humor. Eu mal sabia o tamanho do aprendizado, seja na convivência pessoal ou no trabalho. Foi um privilégio enorme assistir tão de perto um talento tão esfuziante. Muitas vezes, me pego sendo Paulo em cena. Ele está em mim, marcado pra sempre — arremata.

Créditos: Bruno Nunes (text0) e Victor Pollak (imagem)

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