‘A boiada está passando pelos rios’

fevereiro 23, 2026

Christiane Torloni critica decreto que autoriza privatização de rios para transporte de grãos na região Norte do país

A atriz e ativista Christiane Torloni publicou um vídeo em uma rede social nesta segunda-feira (23) criticando o decreto presidencial que incluiu trechos de rios amazônicos no Programa Nacional de Desestatização. A medida, na prática, autoriza a privatização de trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins para o transporte de soja e outros grãos.

Povos indígenas estão mobilizados contra a ação no Baixo Tapajós, no oeste do Pará, e organizações socioambientais apontam ausência de consulta prévia e riscos para o Meio Ambiente.

— Tolinha, sabe o que que estava acontecendo enquanto você estava brincando o carnaval? O lado podre do agronegócio estava te fazendo de palhaça. Enquanto a gente estava aqui dando aquela relaxadinha, a boiada estava passando pelos rios — disse a atriz.

A atriz criticou diretamente a possibilidade de concessões hidroviárias:

— Agora o um novo capítulo desse filme de terror que a gente está vendo no Brasil, no que diz respeito à manutenção das nossas leis ambientais, é privatizar rio. Privatizar o Tapajós, o Tocantins, o Madeira, rios que estão dentro de territórios demarcados, indígenas, ancestrais, sem consulta, sem nada.

Em outro trecho, ela questionou os impactos ambientais e faz referência ao desastre do Rio Doce.

— Vamos derregar o rio para poder passar barco, para poder fazer fluir essa produção de grãos deles, para encher o bolso deles, enquanto os rios vão ficando cada vez mais poluídos. Quer dizer, não quer dizer nada, já ter matado o Rio Doce, né? O Rio Doce está lá, em coma. Um rio que não era privatizado, como é que pode privatizar um rio?

Torloni também ampliou a crítica ao debate institucional e mencionou a Constituição.

— Vamos privatizar a Baía de Guanabara também? Depois vou dar um pedaço na Baía de Guanabara. Quer dizer, nós estamos chegando num nível de absurdo. Eu fico pensando, doutor Ulisses Guimarães, deve estar-se revoltado aonde quer que esteja. A Constituição está sendo rasgada todos os dias. Vamos rasgar a Constituição durante o Carnaval para boiada passar? Governo Federal, alô? Que decreto é esse? Não é possível privatizar rio. Os rios são nossos, do Brasil. E nós não vamos permitir que isso aconteça. Alô, eleição? Está chegando a hora de tirar essa gente que vive as nossas custas. Chega de boiada, moçada. Ano de eleição, vamos acordar? Acabou o Carnaval.

Créditos: Bruno Nunes (texto) e Danilo Borges (imagem)

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