Nesses tempos de elevadas temperaturas na política, Ludmilla conseguiu um feito e tanto. Atração musical do baile de máscaras do hotel Fairmont, no Rio de Janeiro, a diva pop colocou o abastado público que lotava o salão principal para ‘fazer o L’, E para bons entendedores, uma simples consoante basta.
– Quero todo mundo “fazendo o L”, o L da Lud – pediu a artista, sendo prontamente atendida pelo público que ergueu uma das mãos reproduzindo a letra. E ali não estavam sindicalistas, que fique claro, mas um público formado por turistas – brasileiros, na sua maioria – e por empresários. E cada um desembolsou por cabeça algo a partir de R$ 3 mil, valor do primeiro lote, para estar ali.
Se o consenso não chegou a ser ideológico, foi afetuoso, e motivado pelo carisma da artista. Àquela altura, o público já estava na palma da sua mão. E, para tanto, seguiu um roteiro contagiante no qual elencaram-se sucessos de sua discografia a standards do samba e da MPB.
Generosa, ela só iniciou o show depois que Adriane Galisteu, madrinha do baile, desceu de seu quarto para o andar onde era realizada a festa, cuja edição – a segunda da franquia – foi batizada de Verão Maravilha. E passava pouco da meia-noite quando a artista adentrou o palco ao som de “Cheguei”. E fez jus à letra.
Ludmilla chegou, chegando e “balançando a p*rr@ toda”. E elevou as temperaturas do Verão Maravilha. Calotas polares só não derreteram porque o ar-condicionado estava tinindo. E ainda bem, porque a artista não se intimidou e colocou fogo no parquinho.

Após a apresentação ser interrompida por um problema técnico, prontamente solucionado, a cantora retomou os trabalhos com mais sangue nos olhos. E a temperatura seguiu alta com ela convidando dois espectadores para dançarem com seus bailarinos no palco e fazendo troça dos comentários vindos da plateia.
– É pra botar tudo! – pediu um ardoroso espectador, levando à cantora a rebater: – Depois não vai reclamar… E como reclamar de uma apresentação pautada pela alegria e pela joie de vivre esbanjadas pela artista e por seus músicos e bailarinos?
E Ludmilla não economizou em nada – do carisma à voz, tinindo de potente. Há muito que o público que a acompanha conhece a show woman que ela é, e a estrela deu mais uma prova disso no bailão do Fairmont.
Para o Carnaval vale aquela máxima do futebol: só acaba quando termina. O término será com o desfile das Campeãs, mas Ludmilla demonstrou que sua chave é também de ouro. E reluz como o brilho desta artista que, recentemente, foi apontada por uma revista dos EUA como “a voz preta mais poderosa da América Latina”.
E nada acontece por acaso.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Bruno Ryfer (imagens)





