Pela proximidade do Maranhão com o Norte do país, é natural que ritmos e estilos musicais daquela região ultrapassassem a divisa com o estado nordestino. Alcione sabe bem disso. Nossa grande baluarte do samba deu, ao longo de pouco mais de cinco décadas de carreira, voz a estilos característicos do Norte do país. E ela alinha seu canto a uma tradição secular do Amapá em sua mais recente empreitada.
A artista elenca temas autorais e de domínio público num pot-pourri em que evoca as raízes negras da Amazônia. “Marabaixo: tradição do Amapá” chega às plataformas de áudio à meia-noite desta sexta-feira, e seu título evoca um estilo musical surgido ali pelas mãos (e pelo canto) dos negros escravizados.
– Essa expressão “Marabaixo” tem a ver com a cadência dos barcos, muito comuns naquela região do país e também com os Navios Negreiros, através dos quais os negros escravizados chegaram ao país – explica a cantora, que gravou os temas a partir de um convite recebido de autoridades do Amapá.
Entre os temas selecionados pela intérprete, os tradicionais “Vaca malhada” e “Rosa branca açucena”, ambos de domínio público, e composições de nomes como Adelson Preto e Joãozinho Gomes, paraense radicado no Amapá com dois temas incluídos no medley.
A gravação é também um chamego da artista na escola do seu coração, a Estação Primeira de Mangueira. O Amapá terá sua cultura cantada na Avenida pela Verde-e-Rosa no enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju: o Guardião da Amazônia Negra”.






