Ao longo de pouco mais de 20 anos de carreira, Daniel Ramalho teve oportunidade de presenciar – e de documentar – espetáculos de grande porte pelo mundo. A lista inclui simplesmente três olimpíadas e muitos, muitos torneios de futebol, uma das paixões do fotojornalista. As experiências foram todas antológicas, claro, mas nenhuma delas foi mais impactante do que um evento em solo carioca. Se pensou nos desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí acertou em cheio.
– O Carnaval sempre foi para mim um alumbramento, uma coisa que me tocou profundamente desde a primeira vez que fui fotografar um desfile na Sapucaí, e lá se vão mais de 20 anos – rememora o artista ao NEW MAG.
Tanto que o espetáculo, conhecido como nossa “ópera a céu aberto”, é o tema da primeira exposição individual do fotógrafo no Rio de Janeiro. “Delírio” tem curadoria de Chris Laclau e poderá ser visitada a partir desta sexta (09) no Hotel Fairmont, em Copacabana, Zona Sul da cidade.
Se as imagens eternizadas pelo profissional já estamparam as páginas de publicações como o hoje extinto Jornal do Brasil, onde Daniel iniciou sua carreira, a Veja ou o portal Terra, a mostra vai por um caminho menos óbvio. Ela é composta por sete imagens inéditas em painéis impressos em chapa de alumínio. E o formato foi tomado de empréstimo, digamos assim, de um mestre da fotografia, como Daniel entrega:
– Apenas uma delas tem 1 metro por 1,50m, e as outras, 60cm por 80cm, Elas foram impressas em chapa de alumínio. Não têm vidro nem moldura então ficam flutuando sobre o espaço. Minha inspiração foi a exposição do Rogério Reis no Paço Imperial.
Comumente associada a exposições de artes visuais, em que, muitas vezes, o abstracionismo dá a tônica, Laclau levou o artista a mergulhar nos seus arquivos e a revisitar a própria trajetória. Veio também dela parte da “pilha” para o fotógrafo fazer enfim sua primeira individual.
– Conhecendo meu trabalho de pesquisa, ela já tinha me chamado para dar aulas sobre fotografia contemporânea na plataforma dela, a Artmotiv. Falei sobre nomes da fotografia de Dusseldorf, por exemplo. e foi bacana porque a fotografia sempre ocupa esse entre lugar entre a técnica e a arte – opina Daniel destacando o quão prazeroso foi revisitar sua trajetória: – A Chis é muito criteriosa, o que me levou a mergulhar nos meus arquivos e a revisitar muita coisa das quais nem me lembrava mais.
Ao longo desses pouco mais de 20 anos dedicados à profissão, Daniel tem mais do que um olhar apurado pelo tempo. Com a cancha de ter participado de coletivas no Museu de Arte do Rio (MAR) e de eventos como o Santa Teresa de Portas Abertas, ele está seguro para, aos 43 anos, encarar sua primeira individual na cidade.
– É minha primeira exposição individual, mais autoral e, por isso, mais solta, e estou muito feliz com o resultado – arremata.
Motivos não lhe faltam, assim como talento e cacife.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Rudy Trindade (imagem no alto)






