Sempre arrebatando o público por onde passa, Rose Abdallah se prepara para subir ao palco do Teatro BDO Jaraguá, em São Paulo, com o premiado monólogo “Só vendo como dói ser mulher do Tolstói” na próxima sexta-feira (12). No espetáculo, ela dá vida à Sofia Behrs (1844-1919), esposa do escritor russo Liev Tolstói (1828-1910), um dos mais importantes da literatura universal. A relação de 48 anos foi marcada pelo machismo e pelo silenciamento de Sofia.
‘Só vendo como dói ser mulher de Tolstói’ mergulha na correspondência íntima e nos diários dos dois. E o que é encontrado é um casamento de posse, abuso emocional e uma mulher que usou a escrita para se defender do marido que pregava a simplicidade, mas vivia a tirania. O espetáculo tem texto de Ivan Jaf, direção de Johayne Hildefonso e música original de André Abujamra e mostra que, a verdade por trás do celebrado autor de ‘Guerra e Paz’ e ‘Anna Karenina’ é mais brutal que seus romances.
Sofia foi mãe de 13 filhos de Tolstói, foi sua musa e também sua prisioneira. A ideia da peça é mostrar, pela primeira vez, a relação tóxica do casal pelo olhar feminino.
– Conhecia Sofia Tolstói apenas por foto e sempre ao lado do marido Leon Tolstói, o grande romancista russo. Quando li o monólogo, foi uma mistura de sentimentos: amor por ela e choque por conhecer o outro lado de Tolstói. Apesar de toda a sua genialidade, ele era um homem comum, um russo seguidor fiel dos ensinamentos do ‘Domostroi’ (ordem na casa), ‘se o marido não domar a esposa, todo lar desmorona’. Conheço várias mulheres que ainda hoje vivenciam os mesmos conflitos que Sofia. Talvez leve mais alguns séculos para que uma mudança concreta ocorra e que, finalmente, as mulheres tenham seu protagonismo reconhecido – reflete Rose Abdallah.
Além de atriz, Rose Abdallah também é diretora e atualmente assina a peça ‘A Luta”, com Amaury Lorenzo, também em cartaz no Teatro BDO Jaraguá. A casa de espetáculo foi reinaugurada em janeiro sob o comando de Darson Ribeiro, que tem chamado a atenção pela qualidade e diversificação das obras escolhidas. Em sua gestão, o BDO Jaraguá tem sido palco para grandes nomes, como Maria Fernanda Cândido, Totia Meirelles e Ney Matogrosso, entre outros.
Crédito das imagens: Moises Pazianotto






