O grupo Doces Bárbaros marcou época na cultura brasileira — e agora ganhará homenagem no teatro ao lado de outros ícones da Tropicália. Tudo isso será comandado pelo diretor Allan Oliver, destaque na lista de jovens mais talentosos do país pela Forbes em 2022. Depois de dirigir a peça “Marighella”, ele se volta agora para o teatro musical— e conta tudo em primeira mão ao NEW MAG.
O projeto, que deve estrear em março de 2026 no Teatro Paiol Cultural, em São Paulo, nasce do desejo de revisitar a ebulição criativa que marcou o fim dos anos 1960. Allan explica que o espetáculo funciona como um recorte da época, com música, juventude e transformação cultural caminhando lado a lado.
— A Tropicália vai falar sobre juventude, sobre Brasil, e todo aquele movimento artístico todo da época. Obviamente, não dá para falar de Tropicália sem falar de ditadura militar — diz o diretor.
A narrativa será conduzida como se fosse um filme de Glauber Rocha (1939-1941). Em cena, figuras centrais do período vão ser retratados no palco, desde o grupo formado por Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa (1945-2022) — aos Mutantes, passando por nomes como os de Tom Zé, Milton Nascimento e o da atriz Leila Diniz (1945-1972). Para Allan, mais do que revisitar ícones, trata-se de capturar a energia de uma geração que reinventou o país.
— Esses jovens artistas trouxeram um novo estilo, uma nova postura, uma maneira nova de se posicionar — explica.
Um ponto decisivo para o diretor é a escolha do elenco: ele quer artistas tão jovens quanto os originais.
— O Sérgio Dias, dos Mutantes, tinha 16 anos. A Rita Lee tinha 19, 20. A ideia é que seja mais vivo, mais próximo — afirma.
Por isso, as audições que serão abertas nas próximas semanas buscam revelar novos talentos e aproximar o espetáculo da vitalidade daquele período.
A produção marca também a primeira empreitada conjunta da nova empresa criada por Allan, a Graal Arte e Cultura, criada em parceria com a cantriz Graça Cunha e o diretor de teatro Flávio Wongálak. Os três seguem com seus trabalhos individuais, mas agora dividem esse novo selo para espetáculos que desejam construir juntos.
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