Tesouro revelado

novembro 20, 2025

Guardada por seis décadas, obra inédita de Tom Jobim ganha forma em novo espetáculo da Cia de Ballet Dalal Achcar

Uma partitura inédita de Tom Jobim (1927-1994), guardada por seis décadas, finalmente ganhará corpo em cena. A obra, criada pelo artista especialmente para a coreógrafa Dalal Achcar, estreia neste sábado (22) na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, no espetáculo “Água de meninos – Fantasia poética em dois atos”.

Pensado originalmente para um ballet que nunca chegou ao palco, “Água de meninos” reaparece agora sob direção coreográfica da própria Dalal — que volta a criar depois de mais de 20 anos — em parceria com Éric Frédéric, maître de ballet e coreógrafo da Cia de Ballet Dalal Achcar.

A montagem reúne 21 bailarinos para costurar, em dois atos, a amizade entre Dalal e Tom Jobim e a forma como música, memória e afeto atravessam essa história. No elenco, Claudia Mota, primeira bailarina do Theatro Municipal, interpreta Dalal; Manoel Francisco vive Tom e Irene Orazem assume o papel de Madame Makarova, mestra fundamental na formação da coreógrafa.

Arranjada para orquestra sinfônica por Radamés Gnattali, a trilha inédita passeia entre Rio e Salvador, aproximando o universo do compositor da diversidade rítmica brasileira. O repertório inclui temas de Tom, como “Eu preciso de você” e “Água de beber”, entrelaçados a referências populares como batuques de capoeira. A seleção se expande ainda para outros clássicos da música brasileira, com canções de ícones como Baden Powell (1937-2000), Dorival Caymmi (1914-2008) e Pixinguinha (1897-1973).

Para Dalal, tirar esse ballet da gaveta é um gesto de celebração.

— Mostrar para o Brasil a riqueza que temos em termos de música, de dança e de manifestações populares é magnífico, ainda mais nos dias de hoje em que tudo é digital. Reviver o Tom, que popularizou a música brasileira no mundo, é uma forma de fazer essa nova geração se dar conta da riqueza dos artistas que marcaram época — afirma a coreógrafa.

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