Uma partitura inédita de Tom Jobim (1927-1994), guardada por seis décadas, finalmente ganhará corpo em cena. A obra, criada pelo artista especialmente para a coreógrafa Dalal Achcar, estreia neste sábado (22) na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, no espetáculo “Água de meninos – Fantasia poética em dois atos”.
Pensado originalmente para um ballet que nunca chegou ao palco, “Água de meninos” reaparece agora sob direção coreográfica da própria Dalal — que volta a criar depois de mais de 20 anos — em parceria com Éric Frédéric, maître de ballet e coreógrafo da Cia de Ballet Dalal Achcar.
A montagem reúne 21 bailarinos para costurar, em dois atos, a amizade entre Dalal e Tom Jobim e a forma como música, memória e afeto atravessam essa história. No elenco, Claudia Mota, primeira bailarina do Theatro Municipal, interpreta Dalal; Manoel Francisco vive Tom e Irene Orazem assume o papel de Madame Makarova, mestra fundamental na formação da coreógrafa.
Arranjada para orquestra sinfônica por Radamés Gnattali, a trilha inédita passeia entre Rio e Salvador, aproximando o universo do compositor da diversidade rítmica brasileira. O repertório inclui temas de Tom, como “Eu preciso de você” e “Água de beber”, entrelaçados a referências populares como batuques de capoeira. A seleção se expande ainda para outros clássicos da música brasileira, com canções de ícones como Baden Powell (1937-2000), Dorival Caymmi (1914-2008) e Pixinguinha (1897-1973).
Para Dalal, tirar esse ballet da gaveta é um gesto de celebração.
— Mostrar para o Brasil a riqueza que temos em termos de música, de dança e de manifestações populares é magnífico, ainda mais nos dias de hoje em que tudo é digital. Reviver o Tom, que popularizou a música brasileira no mundo, é uma forma de fazer essa nova geração se dar conta da riqueza dos artistas que marcaram época — afirma a coreógrafa.





