Jornalista, escritora e atriz, Maíra Azevedo, popularmente conhecida como Tia Má, é hoje um dos principais nomes na luta contra o racismo no Brasil e, se inquirida a se autodefinir, ela prefere: “Preta, gorda, nordestina, mãe solo, candomblecista, forjada no afeto e na luta em prol da construção de uma sociedade mais justa.” Com milhões de seguidores, ela usa suas plataformas e as constantes presenças em programas de televisão e rodas de debate para discutir a representatividade negra e a autoestima. O humor é uma de suas ferramentas mais relevantes. Não para diminuir a dor, mas para usufruir do riso como instrumento de reflexão. Tendo já recebido diversos prêmios como Influenciadora Social e integrar a lista das 25 mulheres negras mais influentes da internet, este ano ela jogou luz também na necessidade de se abordar o racismo com as crianças lançando o livro “A menina que não sabia que era bonita”, da editora Malê. Às vésperas do Dia da Consciência Negra, na próxima quinta-feira (20), Tia Má, conversou com exclusividade com NEW MAG.
Você lida diretamente com a autoestima de crianças negras. Quais as dificuldades ao discutir racismo com o público infantil?
Primeiro é fundamental falar com nossas crianças sobre suas belezas, e eu gosto de falar no plural mesmo, porque existem várias formas de serem belas! Falar sobre racismo é sempre difícil, mas é preciso assumir que ele existe, e infelizmente atinge também nossas crianças.
Muito tem se debatido sobre os limites do humor. Mas esta é uma forte ferramenta para você. Qual o limite do humor? Quando a piada perde a graça?
O humor precisa fazer rir e refletir, e não humilhar. Pra mim, esse é o limite do humor. Escárnio não é engraçado.
Como você vê a abertura cada vez maior para os atores negros na dramaturgia, em especial na televisão?
Essa ocupação de artistas negros em espaços de destaque é fruto de uma luta antiga e a gente precisa celebrar e reconhecer quem veio na frente. Foi necessário a existência do Teatro Experimental do Negro, do Bando de Teatro Olodum, Cia dos Comuns, para que hoje pessoas negras possam ser protagonistas!
Quais você acredita que devem ser os próximos passos na luta contra o racismo? O que deve ser feito com urgência por parte da população civil e por parte do governo?
A educação é a ferramenta mais potente. Temos leis modernas e poderosas de combate ao racismo em
nosso país, só precisam serem colocadas em prática!
Crédito da imagem: Divulgação/ Magali Moraes





