Eufórica e esfuziante. Foi assim que Marina Lima mostrou-se ao subir, na noite da última sexta-feira (14), ao palco da Brava Arena Jockey para mais um reencontro com o público carioca. E motivos para a artista estar daquele jeito não faltavam. Marina voltava à sua cidade natal e, naquela noite, ela – que completou 70 primaveras em setembro – encerrava a bem-sucedida turnê “Rota 69”, iniciada um ano anos, como você viu aqui.
Fiel ao roteiro com que caiu na estrada nos últimos meses, a artista seguiu à risca a ordem do show, que tem o charme (do mundo) a mais de ter seus números entremeados por vinhetas que, unidas às canções, reiteram o lugar da diva pop no imaginário popular, desde sua estreia fonográfica com o LP “Simples como fogo” (1979), cuja faixa de abertura, “Solidão” (Dolores Duran), tem seus primeiros versos ouvidos na abertura do show.
O verso “Ai, a solidão vai acabar comigo” ecoou como um prenúncio de que quem seria nocauteado (no melhor dos sentidos) não seria a artista, mas seu muitos fãs. E, para tanto, a cantora usou de uma artilharia pesada iniciada com “À francesa” (Claudio Zoli/ Antonio Cícero) e seguida por “Fullgás”, “Pra começar” e por duas do célebre álbum de 1984: a balada “Me chama”, de Lobão, e “Mesmo que seja eu” (Roberto e Erasmo Carlos), com direito a introdução de Billie Eilish e citação de “Satisfaction”, dos Stones.
Veio deste mesmo LP um dos momentos mais emocionantes da noite. O poema “Cícero/ Marina”, ouvido na voz do poeta, que morreu em 2024, enquanto imagens dele eram vistas no telão. O número foi calorosamente recebido pelo público.
— Este show é dedicado a Antonio Cícero, o cara mais genial que conheci – declarou Marina ao fim da exibição, atacando com “Difícil”, “Na minha mão”, “Virgem” e “Beija-flor”.
Àquela altura, Marina estava totalmente à vontade. A ponto de, ouvidos os primeiros versos de “Guardar”, também do irmão-poeta, ela precisar recomeçar “Pessoa”, de Dalto. O motivo? O acento da cadeira usada por ela era giratório e não estava travado. “Fico aqui virando de um lado para o outro”, protestou com bom humor.
E ao número seguram-se “Keep walking”, precedida por texto de outro poeta saudoso da cena pop, Jorge Salomão (1946-2020); “Pierrot’, esta seguindo-se a uma homenagem a Moraes Moreira (1947-2020) com “Bloco do prazer”; “Não sei dançar” (Alvin L) e “Charme do mundo”.
Marina estava mesmo em casa – e feliz com o espaço, montado na cidade a cada fim de ano e onde se apresentava pela primeira vez. “Eu aaaaamo o Rio de Janeiro”, bradou ao encerrar a noite com “Nem luxo, nem lixo’, de Rita Lee (1947-2023) e Roberto de Carvalho. E o clima de festa seguiu-se no bis com “Eu te amo, você” (Kiko Zambianchi) e “Uma noite e1/2”, o hit-arauto dos verões desde seu lançamento, em 1987.
O verão vem chegando, e Marina Lima é sua musa suprema e vitalícia. Mais que isso: rainha soberana da cena pop há muitos, muitos verões.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e divulgação (imagens)






