
Dançar para o corpo ficar odara. Caetano Veloso, gênio da raça, cantou essa pedra em 1977, ano em que a disco music ganhava as pistas do país. E, como Caetanear é o que há de bom (amém, Djavan!), a Studio3 Cia de Dança faz jus à máxima e presta merecida homenagem ao cantor e compositor baiano em seu novo espetáculo. “Deixa eu dançar” une novamente a aclamada companhia à Orquestra e ao Coro Acadêmicos da Osesp e, juntos, eles voltam à Sala São Paulo. As três apresentações terão regência de Wagner Polistchuk, diretor musical da encenação, e acontecem a partir do dia 20 deste mês na capital paulistana.
Com coreografias a cargo do mestre Anselmo Zola a partir da dramaturgia de Wiliam Pereira, diretor da montagem, o espetáculo joga luz sobre o artista multifacetado que é Caetano. E estão retratadas suas diferentes facetas num caleidoscópio que abarca desde a transgressão tropicalista ao lado interiorano e introspectivo do homem que, através da sua arte, defendeu a hegemonia brasileira dos Podres Poderes.
E para que esta pluralidade musical seja levada à cena com a devida pompa, uma artista sofisticada e ousada (e discípula do homenageado) foi escalada para integrar o projeto. A cantora, pianista e compositora Clarice Assad assina os arranjos dos 20 temas incluídos no roteiro.
E ele traz obras conhecidas pelo grande público como “Força estranha”, “Oração ao tempo”, “Alegria, alegria” e passeia também por composições menos conhecidas, mas de forte lirismo poético e melódico como “Canto do povo de um lugar” (do arrojado álbum “Joia”, de 1975) e “Nicinha”, pinçada de “Qualquer coisa”, lançado naquele mesmo ano.
Nicinha é o apelido de Eunice Velloso (1928-2011), irmã que ajudou Dona Canô (1907-2012) a criar Caetano – e a quem Maria Bethânia chamava, mesmo depois de adulta, de babá. Seu legado faz-se presente também com “Alguém cantando”, extraída do LP “Bicho”, aquele mesmo que trazia, em 1977, “Odara”, também presente no roteiro.
E ela não poderia mesmo faltar. Com um homenageado e um cancioneiro desses quilates, a Sala São Paulo tem tudo para ficar odara.
Crédito das imagens: Leandro Menezes






