‘Revoluciona a ópera brasileira’

outubro 25, 2025

Gilberto Gil, Aldo Brizzi e Paulo Coelho estreiam espetáculo inédito durante a COP30 em Belém. Vem saber!

Gilberto Gil, Aldo Brizzi e Paulo Coelho unem-se em espetáculo inédito que revisita a obra de um dos maiores poetas brasileiros. A ópera “I-Juca Pirama”, com libreto de Paulo e composição musical de Gil e Aldo, terá estreia nacional no Theatro da Paz, em Belém, no dia 10 de novembro. A apresentação, baseada no poema indianista de Gonçalves Dias (1823-1864), vai acontecer em sintonia com o clima de efervescência cultural que tomará a capital paraense durante a COP30.

A montagem, que também vai encerrar o XXIV Festival de Ópera do Theatro da Paz, traz uma releitura eco-poética e contemporânea da obra, que entrelaça literatura, ancestralidade, ecologia e espiritualidade. Solistas e coro do Núcleo de Ópera da Bahia, o Coro Carlos Gomes de Belém, a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e integrantes do povo Huni kui, do Acre, estarão reunidos no espetáculo.

— A obra vai revolucionar a ópera brasileira, com um trabalho magnífico de Aldo Brizzi e Gilberto Gil — emociona-se Paulo Coelho, que divide com Gil o prólogo audiovisual da montagem: ele como Gonçalves Dias, transformando-se em Espírito da Terra; e Gil, no papel de Croá, o trovador dos povos originários, interpretando uma canção inédita sobre as queimadas.

Cantada em português, a produção combina canto, dança, projeções e rituais de matriz indígena, com figurinos sustentáveis assinados pelo xamã e artista plástico Tukano Bu’ú Kennedy — confeccionados por artesãos e coletivos indígenas da região amazônica com fibras e pigmentos naturais.

Toda a renda da estreia será revertida em apoio ao povo indígena da Vila Dom Bosco, localizado na região do Alto Rio Negro, no Amazonas, em prol da educação intercultural e da preservação dos saberes ancestrais.

Na trama, o jovem guerreiro I-Juca Pirama — o último de sua tribo — tem suas terras devastadas e é capturado pelos Timbiras, mas transforma seus algozes com coragem e dignidade. A história, dividida entre o tempo mítico e o contemporâneo, ecoa a dor das queimadas e o grito da floresta ferida, mas também o poder dos sonhos que insistem em germinar.

Crédito da imagem: divulgação

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