O porte é austero como convém a uma rainha. A silhueta é esguia como nos tempos de modelo. A fala continua espontânea, acrescida da serenidade trazida pela maturidade. Estamos falando de Maria da Graça Xuxa Meneghel. Ou simplesmente Xuxa como é mundialmente conhecida e amada. Os fãs de Xuxa amadureceram – como ela –, mas o encanto por sua figura e pelo seu carisma mantêm-se. E um exemplo disso foi dado na estreia do musical “Mudança de hábito”, no Rio de Janeiro. Mal Xuxa chegou, viu-se cercada pelos repórteres. Foi lá onde esta entrevista se deu. A conversa começou no foyer do teatro e estendeu-se à plateia. O jornalista aqui foi perseverante sem ser invasivo (assim espero). Afinal não é sempre que estamos diante de Xuxa Meneghel. E a rainha fala a seguir sobre o orgulho pela filha fazer uma moda consciente, do receio em relação à Inteligência Artificial (IA), da urgência de se preservar o Planeta, opina sobre o futuro da TV e levanta a voz contra o etarismo: “Envelhecer tem de ser leve”.
Como alguém que sempre defendeu a preservação do Meio Ambiente e o respeito aos animais, quais as suas expectativas em relação à COP-30?
Essa é uma bandeira que todos sabem que levanto há muito tempo. Acho que não precisa ter uma COP-30 para você dizer a todo mundo o quão importante é cuidar da Natureza, cuidar do environment (ambiente) e tudo o que cada um pode fazer. Cada um precisa fazer um pouquinho sem esperar que o governo faça e que as políticas aconteçam. Acho que todo mundo tem de fazer (pelo Meio Ambiente) e sempre.
A Sasha enveredou pela moda com uma proposta de consumo consciente e a da reutilização das peças. Como vê a mulher bacana que ela se tornou?
Ela é a coisa mais linda da vida. E, aliás, eu estou de Sasha (o look de Xuxa era da Mondepars, marca de Sasha). A Sasha se cobra muito!
Sendo filha de quem é…
Ela se cobra muito e fala a toda hora que cresceu muito rápido e que tem ainda muito a aprender e acho isso muito legal. Ela estudou muito e entende (sobre seu ofício). Ela não está apenas colocando o nome dela em algo como muita gente faz quando quer lançar algo. Ela entende mesmo de costura, ela estudou para isso e fica muito feliz quando falam sobre o quão bonito é o trabalho dela. Ela tem um chão muito grande ainda pela frente. Ela pesquisa bastante, viaja e vai aprender muito. Ela sabe que o mercado entre Rio e São Paulo é uma coisa e se ela quiser atingir o Brasil todo será outra coisa.
Junno tem a versatilidade que o leva a diferentes caminhos artísticos. O que você destaca de mais valoroso nele?
Vim aplaudi-lo da plateia pois já o aplaudo todos os dias. Quero muito que as pessoas vejam o quão talentoso ele é: um baita ator, um baita cantor, um baita compositor! Uma pena que as pessoas não deem muito espaço à galera com a idade que a gente tem.
Você espera ver um país menos etarista onde a mulher possa mostrar o braço e o corpo sem patrulhamento?
Fui mostrar o meu e reclamaram (risos)
Sim, por isso a pergunta…
As pessoas, na verdade, não gostam de ver as outras envelhecerem, e há por isso essa cobrança. Se eu me cobro, as pessoas também irão cobrar. Tiro sarro de mim mesma em relação a isso. Não tenho o que cobrar deles, para que tenham outra maneira (de abordar o fato) porque chega até a ser engraçado. Tem que ser leve. Envelhecer tem de ser leve, ainda mais num país onde tudo é Carnaval, tudo é divertido, a gente não pode se cobrar tanto. A gente se esquece de ser brasileiro nessas horas.
Pensa em levar à TV um projeto voltado às mulheres 60+?
Só o fato de eu estampar uma capa de revista já é uma maneira de mostrar que a gente tem espaço. A mulher em qualquer idade, em qualquer posto, em qualquer corpo tem espaço. Não preciso ficar dizendo o que gostaria de fazer para motivar as pessoas. Vocês (da imprensa) me colocam num lugar sempre tão legal. Estou envelhecendo, e as pessoas estão envelhecendo comigo, e as pessoas estão me respeitando, e isso é legal para qualquer idade.
A TV caminha para oferecer mais interatividade ao telespectador. Como você vê o futuro da TV?
Nossa… São muitas as mudanças já em vigor. Aquela televisão que todos conheciam não vai mais existir. As mudanças vão se impor cada vez mais. Especular sobre o futuro é difícil… Ele será diferente, e a televisão terá de se adequar às diferenças e às mudanças que vão acontecer.
Inteligência Artificial te fascina ou te assusta?
Me assusta muuuuuuito! A todos nós.
Você tinha na sua casa uma imagem de Jesus sorrindo que encantou muitos dos teus amigos, a ponto de ela ter sido transformada em um cartão de fim de ano. Você ainda tem essa imagem em casa?
Ainda tenho ela em casa.
O musical fala de fé e resiliência. Como você define a sua fé?
A fé é a que tenho comigo. Minha fé é a minha fé.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto e perguntas) e divulgação (imagem)





