Um estado de atenção silente e plena toma conta da plateia durante os 150 minutos de “Um julgamento – Depois do Inimigo do Povo’. O espetáculo, cujo elenco é encabeçado por Wagner Moura, aportou no Rio de Janeiro após mambembar por estados do Nordeste. E, na noite da última quarta-feira (22), reuniu nomes do teatro, do cinema e da TV em sessão para convidados no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).
Há muito que Wagner queria trabalhar a partir do texto de Henrik Ibsen (1828-1906), que põe em xeque a ética e a conduta humanas a partir da denúncia de que a água de uma estação termal estaria insalubre. O ator cogitou, inclusive, adaptar a obra para o cinema e viu na diretora Christiane Jatahy (aclamada no Brasil e no exterior) e no roteirista Lucas Paraíso as peças-chaves para a engrenagem pretendida por Wagner.
A sessão foi prestigiada por Bruna Marquezine, estrela que arrisca passos no exterior e que tem tudo para trilhar um caminho bonito, a exemplo do próprio Wagner. Paulo Betti, que brilhou na montagem realizada nos anos 1990 na hoje extinta (e saudosa) Casa da Gávea, era um dos que não disfarçavam o entusiasmo com a nova encenação.
A apresentação contou ainda com duas grandes damas do teatro: Marieta Severo e Juliana Carneiro da Cunha, esta a estrela brasileira do Thêatre du Soleil. E marcou também o reencontro de Malu Galli e Luís Lobianco, a Celina e o Freitas de “Vale Tudo”, com Manuela Dias, autora do remake.
Finda a sessão, o clima no coquetel era de perfeito conluio. Afinal, todos estavam impactados pela constatação de que o teatro tem na fé cênica a premissa para ele existir. E, assim, ele existe e resiste.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Cristina Granato (imagens)





















