‘A paternidade me mudou’

janeiro 2, 2026

Bruno Gagliasso engaja-se na produção audiovisual sustentável e fala da paixão pelo cinema, de projeto com Giovanna Ewbank e revela se voltará às novelas

Bruno Gagliasso construiu uma trajetória sólida e versátil na teledramaturgia brasileira. Desde a estreia em fins dos anos 1990, o ator marcou presença em novelas como “Celebridade”, “América”, “Caminho das Índias”, “Cordel encantado” e “O sétimo guardião”. Entre mocinhos, vilões e personagens complexos, conquistou o público com talento, intensidade e entrega em cada papel. Agora, longe dos folhetins, Bruno vive uma nova fase. Apaixonado por cinema, ele também atua como produtor em projetos que unem arte e sustentabilidade. E mostra o caminho das pedras no Manual do Audiovisual Sustentável, iniciativa inédita no país que propõe diretrizes práticas para tornar produções de cinema e TV mais responsáveis ambientalmente. O documento integra a Plataforma Chico Vive, projeto multimídia idealizado por Bruno em homenagem ao líder seringueiro Chico Mendes (1944-1988). Além de um documentário e de uma cinebiografia que será rodada no Acre este ano, a iniciativa também inclui o Prêmio Chico Vive, voltado a reconhecer jovens lideranças socioambientais de todos os biomas brasileiros. “É pelos meus filhos, é pelas futuras gerações”, diz o artista ao NEW MAG, feita de forma presencial no Rio de Janeiro. Bruno também revela se voltará às novelas, fala sobre família, os projetos com a mulher, Giovanna Ewbank, e o que espera para o futuro do Brasil.

O lançamento do Manual do Audiovisual Sustentável é uma iniciativa importante. No seu entendimento, quais são os maiores desafios para tornar as produções de cinema e séries no Brasil verdadeiramente sustentáveis?

É criar a vontade das pessoas quererem fazer a diferença. Quando você consegue fazer a diferença acontecer, fica fácil. Mas a gente tem que tirar isso das pessoas. Tem que fazer a vontade das pessoas quererem fazer.

A Pachamama Trading está focada no mercado de unidades de crédito de sustentabilidade. Na prática, como a empresa auxilia outras companhias a cumprirem seus compromissos ambientais e, consequentemente, contribuírem para a preservação ambiental no Brasil?

Tem várias maneiras de se fazer. Tudo depende também da empresa e onde ela quer agir — seja através de compensação ambiental, através de ativos que vivem da floresta, seja através de consultoria. Depende muito da empresa. Por exemplo, a gente foi atrás da Sustentech, que é a maior empresa de sustentabilidade do país e que está acostumada a fazer isso há muito tempo. Ela te direciona para o que você tem que fazer para sua empresa se tornar sustentável.

Sua última novela foi “O sétimo guardião”, que terminou em 2019. De lá para cá, você se dedicou a séries e filmes. O que motivou esse afastamento das novelas? Existe alguma possibilidade de retorno no futuro?

Estou apaixonado por cinema. No momento, estou focado em fazer cinema, não só como ator, mas como produtor. Estou focado, por exemplo, nesse pilar do Chico Mendes, que é o documentário, o filme de ficção, o Prêmio Chico Vive e também tem tudo a ver com o manual. Quero dar minha contribuição agora para o cinema. Já fiz muita novela, fiz muita coisa na televisão. Acho justo eu ter esse tempo para me dedicar ao cinema.

Em 2005 na novela “América”, a cena do beijo entre seu personagem Júnior com Zeca, vivido por Erom Cordeiro foi gravada, mas não foi ao ar. Como você avalia a evolução da representatividade LGBTQIA+ nas novelas de lá para cá?

Mudou muito, a gente cresceu muito. Quantos beijos já tiveram? Eu mesmo já dei um beijo na série “Os quatro da Candelária”. Fiz umas cenas lindas de amor. A gente parou de julgar, naquela época julgava muito. E agora está melhorando. 

Ter filhos fez você rever escolhas profissionais ou deixar projetos de lado para priorizar o bem-estar familiar?

Alguns não, todos. A paternidade me mudou por completo. Todas as minhas escolhas são baseadas nisso, no que quero deixar como legado. Hoje a plataforma, o prêmio Chico Vive e o manual são provas disso. Tudo que faço é pelos meus filhos, é pelas futuras gerações.

Você e Giovanna Ewbank comandam no YouTube o programa “Surubaum”, que propõe conversas francas sobre sexualidade, relacionamentos e intimidade. Na sua opinião, por que ainda existem tantos tabus sexuais no Brasil e de que forma o programa tem contribuído para desconstruir esses estigmas?

Sem sombra de dúvida ainda existem. Na verdade, o programa é para a gente discutir. Sou a favor da discussão. Sou ator, faço arte. Sou contra qualquer tipo de preconceito ou censura. Ali foi muito bom para as pessoas poderem assistir e falar sobre. E agora vou fazer cinema com a Giovanna também. A gente vai rodar um filme junto este ano.

Para você, o que falta para o Brasil se enxergar, de fato, como um país mestiço? Como você vê a questão do racismo em um futuro próximo, pensando que este ano teremos eleições?

O Brasil precisa se olhar e acreditar em si mesmo. Quando temos identidade, nos reconhecemos e temos condições de enfrentar a tudo e a todos.

Crédito da imagem: Lucas Mennezes

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