“Da lata” entrou para o linguajar comum como uma expressão que atesta a qualidade de algo. Tal apropriação refere-se às latas despejadas no litoral fluminense no verão de 1987 e recheadas da canabis sativa de elevado teor. “Da lata” é também o nome de um álbum de elevado teor musical e qualidade sonora. O CD em questão, lançado por Fernanda Abreu em 1995, tem sua história contada em um (merecido) documentário.
“Fernanda Abreu – Da lata 30 anos, o documentário” traz as diretrizes que nortearam a elaboração de um álbum que trouxe novos ares à música pop brasileira num aparato que teve no funk, então estigmatizado pela intelligentsia, uma das peças-chave desta nova engrenagem. A música pop brasileira nunca mais foi a mesma. E Fernanda, bem, ela não é a mesma nunca e isso é corroborado a cada novo trabalho lançado.
A produção coroa também uma a parceria de quatro décadas entre nossa “garota carioca swing sangue bom” com o cineasta Paulo Severo e com o fotógrafo e um dos mais brilhantes diretores de fotografia do país: Walter Carvalho.
O elo entre eles é tão perene que o filme começou a ganhar vulto não a partir de um roteiro, mas do arsenal de 33 entrevistas registrado por Severo. Natural que o processo tenha sido esse em se tratando de um álbum tão inovador.
– O documentário nos deu um objetivo, e a gente foi atrás, mas o objetivo inicial era, claro, o de contar a história da gravação do disco mais importante da carreira da Fernanda, que eu tinha filmado. O arquivo está quase todo presente no filme – celebra ele.
E o documentário tem, como o CD, o tal veneno. E, como se dizia lá nos anos 1980, ele é do bom. Vamo bate lata!
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e divulgação/Festival do Rio (imagem)






