Uma ficção inspirada num episódio real. Sim, factual e também dolorido. A diretora e roteirista Flávia Castro põe o dedo nas cicatrizes de uma ferida aberta em 1973, quando militares tomaram o poder no Chile através de um golpe de estado. Flávia era criança e foi levada por seus pais a refugiarem-se na embaixada da Argentina naquele país.
O episódio é revisitado por ela em “As vitrines”, longa no qual ela,mais uma vez, leva à tela um fato relacionado à ditadura, a exemplo dos seus projetos anteriores, “Diário de uma busca” (2010) e “Deslembro” (2019). A produção teve sua primeira exibição no Brasil realizada na noite da última segunda-feira (06), como parte da mostra Hors Concours da Premier Brasil, no Festival do Rio.
A sessão foi prestigiada pelo ator Gabriel Godoy, que interpreta o pai de Ana, alterego da diretora e personagem central da história. A exibição contou ainda com a presença da atriz Nathalia Dill, do poeta e letrista Bernardo Vilhena e de duas representantes da família Mariani – a cineasta e produtora Joana Mariani e sua prima, a atriz Luiza Mariani.
Foi a segunda exibição num festival da produção, vista no Festival de Cinema Latino Americano de Biarritz, onde a diretora participou pela terceira vez como exibidora e do qual também já integrou o júri.
– Estive pela primeira vez naquele festival em 2010, com “Diário de uma busca”, que ganhou o prêmio Abrazo de melhor documentário. No ano seguinte, o festival completava 20 anos e fiz parte do júri de documentários, outra experiência inesquecível que Biarritz me proporcionou. Em 2019, voltei com meu primeiro longa de ficção, “Deslembro”, que saiu de lá com o Prêmio da Crítica – rememora Flávia apontando para o fato de que um novo trabalho traz uma emoção diferente: – Por isso tudo, foi uma alegria voltar a um festival que me viu nascer como cineasta para mostrar “As Vitrines”.
Crédito das imagens: Cristina Granato









