O mercado audiovisual brasileiro ganha uma importante aliada na sua valorização. A Federação da Indústria e Comércio Audiovisual (FICA) será lançada na próxima segunda-feira (06) durante o RioMarket, evento de negócios do Festival do Rio.
Presidida por Walkíria Barbosa, diretora do festival, produtora de cinema e TV e sócia do Grupo Total, a entidade nasce após dois anos de estudos e negociações com representantes de diferentes órgãos governamentais. Agora, o segmento audiovisual faz parte do programa Nova Indústria Brasil, iniciativa do Governo Federal através do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
— Há tempos percebemos a necessidade de termos um diálogo olhando para o nosso setor como uma indústria. Ano passado, dentro do RioMarket, aprovamos um documento de política de estado para o audiovisual brasileiro, inspirado no modelo de sucesso da Coreia do Sul. É um país que tem um projeto de exportação inacreditável — conta a presidente da FICA.
Walkíria lembra ainda o impacto desse modelo, que fomentou e popularizou globalmente produções sul-coreanas:
— Pelas informações que apuramos, em 2023, a Coreia do Sul exportou mais de US$14 bilhões em conteúdo audiovisual e musical, tudo isso construído a partir de uma política de estado, em que o audiovisual é considerado como uma indústria estratégica.
A representatividade está no centro da nova entidade, que terá sua estrutura e órgãos diretivos apresentados no lançamento.
— A criação da FICA representa um marco histórico para o audiovisual brasileiro. Pela primeira vez, estamos trabalhando para reunir toda a cadeia do setor em torno de uma federação nacional, com a missão de fortalecer nossa indústria e projetar o Brasil de forma ainda mais competitiva no cenário internacional — enfatiza Walkíria.
O evento também marca a primeira ação da FICA: a divulgação de um estudo inédito da Oxford Economics, encomendado pela Motion Picture Association (MPA), intitulado “A contribuição econômica da indústria audiovisual no Brasil em 2024”. A pesquisa aponta para o fato de o setor representar um PIB de R$ 70,2 bilhões, equivalente a 12% do setor de serviços públicos. Fora os mais de 600 mil empregos diretos e indiretos gerados. Só em postos de trabalho, são mais de 120 mil pessoas empregadas, número equivalente à indústria farmacêutica e superior à força de trabalho da indústria automotiva.
— Além de jogar luz no potencial enorme da nossa indústria, o estudo mostra o tanto que ainda podemos crescer com uma política de estado. Nosso setor atualmente impacta no PIB 0,6%, mas temos certeza absoluta, considerando estudos como este, que podemos chegar a 1,5% do PIB nos próximos três anos, começando o trabalho agora — conclui a presidente da FICA.
Crédito da imagem: Eny Miranda





