Eles são companheiros de geração, fãs recíprocos, mas, por uma dessas circunstâncias da vida, só agora calhou de ela ser dirigida por ele. Estamos falando de Ana Beatriz Nogueira, uma de nossas mais aclamadas atrizes, e de Gilberto Gawronski, ator e diretor dos mais ousados – e corajosos – da atual cena teatral.
Os dois trabalham juntos em “A procura de uma dignidade”, solo com que Ana Beatriz volta aos palcos em mais uma nova – a segunda – incursão pela literatura de Clarice Lispector (1920-1977), escritora de cuja obra é leitora contumaz.
Ana muda agora de papel. Ela dirigiu, no primeiro ano da pandemia,a cantriz Sandra Pêra numa apresentação, realizada de forma remota, de uma adaptação próxima da que chega, a partir desta sexta (12),ao palco da Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro.
– Já conhecia o conto e, ao relê-lo recentemente, descobri outras nuances que não percebi naquele primeiro momento. Então, vi que precisava voltar a ele – explica a atriz.
Com o diretor gaúcho o movimento é no sentido contrário. Ele tem uma folha de excelentes serviços voltados à transposição para a cena de textos de… Caio Fernando Abreu (1948-1996) de quem foi amigo. A encenação marca também o primeiro trabalho de Gilberto com um texto de Clarice, que,não por acaso, chamava Caio de seu Quixote.
– É impressionante como o Caio traz influências da escrita da Clarice. Há a criação da personagem juntamente a um estilo de escrita que evidencia a autoria – observa Gawronski, salientando ainda a alegria por aproximar-se do universo clariceano: – Um prazer navegar na sofisticação dessa literatura tão preciosa.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Nil Caniné (imagem)





