Vitalidade e jovialidade são duas marcas de Carlos Loffler. E,acredite, o artista vai comemorar 65 primaveras no próximo domingo (24). E para marcar a data, nada melhor do que comemorar onde mais gosta: no palco. O ator e cantor sobe ao palco da Experience Music, na Lapa, Centro do Rio de Janeiro, no dia 30 deste mês, seis dias depois do seu aniversário.
O show presta homenagem a uma das épocas mais criativas da cultura brasileira, os anos 1970. A apresentação reunirá clássicos do rock nacional, histórias pessoais e, claro, bom humor — marca registrada do artista, neto de Oscarito ( 1906-1970).
— É um show de rock nacional em que a gente faz uma repercussão muito legal dessa época. A década de 1970 foi um boom criativo. Tinha música, teatro, literatura, tudo fervendo. Os anos 1980 também foram importantes, mas acho que os 1970 têm uma riqueza incomparável — diz o artista por telefone ao NEW MAG.
No repertório, ele homenageia Rita Lee (1947-2023) através de “Ando meio desligado” (dos Mutantes) e “Erva venenosa”, lançada originalmente pelo grupo Erva Doce. Os tributos resvalam ainda em Gal Costa (1945-2022), saudada por ele como “Como 2 e 2”, de Caetano Veloso e lançada por Roberto Carlos.
Gal foi magistralmente homenageada por ele, aliás, no musical “Blue Jeans”, sucesso de bilheteria nos anos 1990. No espetáculo, dirigido por Wolf Maya, o astro roubava a cena na pele de um transformista que imitava a diva baiana.
— “Blue jeans” foi uma virada pra mim. Ficamos mais de quatro anos em cartaz! Muita gente passou por lá, Alexandre Frota, Maurício Mattar, Marcos Pasquim, Humberto Martins… E foi uma peça que me levantou no teatro — relembra.
No quesito afetos, também haverá espaço para um tributo a Serguei (1933-2019), seu amigo de longa data, com a música “Burro cor de rosa”.
— Essa música é incrível, o Ney Matogrosso quase gravou. É uma homenagem que precisava fazer. Ele foi uma figura maravilhosa, uma pessoa incrível — lembra Carlos, que também planeja uma apresentação inteiramente dedicada ao cantor em novembro, mês em que ele faria aniversário.
Apesar do foco ser musical, o espetáculo também reflete o seu outro lado — o da atuação.
— O show tem um lado de humor. Falo sobre os artistas, faço algumas brincadeiras, mas é um show de música mesmo, com muito respeito ao repertório — explica o artista, que prossegue: — Minha vida começou na música. O teatro veio depois. Sempre que posso, volto a cantar. É o que me move. Quando não estou fazendo novela ou programa de TV, vou para estrada fazer show.
A trajetória como ator também é extensa — e sempre permeada pelo humor, algo que, segundo ele, já estava em seu sangue:
— Isso foi determinante na minha vida. O humor sempre esteve presente. Mesmo tendo convivido pouco com ele, porque ele faleceu quando eu tinha 10 anos, depois que comecei a conhecer a obra dele, entendi o quanto ele me influenciou — conta Carlos, que tem planos de produzir um espetáculo em homenagem ao avô.
Com essa base, foi natural seguir por projetos voltados à comédia e ao entretenimento. Esteve em programas clássicos da TV brasileira como “Zorra total”, “Escolinha do professor Raimundo” e “Chico Anysio show”. No cinema, marcou presença em obras como “Feliz ano velho”, ao lado de Malu Mader e Marcos Breda, e “Navalha na carne”, filme em que contracenou com Vera Fischer.
— Trabalhar com a Vera foi incrível. Ela foi supergenerosa, me deu uma força enorme. Rodávamos o filme de madrugada, virando noites. Foi puxado, mas valeu cada segundo — recorda o artista, que ainda mantém amizade com a atriz: — A Vera é uma pessoa que eu amo de paixão. Nós nos encontramos de vez em quando, e sempre é uma farra.
Carlos acredita que a energia do palco ainda é o combustível para viver.
— Estou firme, forte, cheio de energia. E temos que aproveitar. Para mim, não tem lugar melhor que o palco. É uma farra, uma festa — arremata.
Créditos: Bruno Nunes Costa (texto) e divulgação (imagem)





