“É por isso que eu vivo no Clube do Samba/ Nessa gente bamba eu me amarro de montão”… Diogo Nogueira é bamba e muita gente se amarra nele de montão. E uma prova disso foi dada na noite do último domingo (17), quando o vão central da Cidade da Música Bibi Ferreira ficou tomado de gente em mais uma – a segunda – edição de “A Grande Roda”, evento no qual o cantor reacende a chama do Clube do Samba, criado em fins dos anos 1970 por seu pai, o eterno João Nogueira (1941-2000).
Ao subir a pequena escada de acesso ao palco, pouco antes das 20h, Digo pisou firme o tablado com o pé esquerdo, como quem demarca aquele território como dele. Abrindo sua apresentação com “Clareou (Deus é maior)” (Serginho Meriti/Rodrigo Leite), seguida de “Tô fazendo a minha parte’ (Flavinho Silva/Gilson Bernini), Diogo mostrou que, sim, é rei daquele terreiro e não poderia ser diferente em se tratando de quem traz o samba no DNA.
– Sejam felizes. Aproveitem e soltem a franga – propôs o cantor abrindo alas para um set de clássicos como “As forças da Natureza” e “Poder da Criação”,ambas de João Nogueira e Paulo César Pinheiro. A noite fora aberta, horas antes, pelo Bom Gosto, grupo que completa este ano duas décadas na estrada consolidando-se como referência no segmento. E os trabalhos avançaram com Diogo numa apresentação que contaria ainda com canjas de Emanuelle Araújo (em cartaz ali), do cantor e compositor Sombrinha e, claro, com Paolla Oliveira mostrando no palco que tem (muito) samba no pé.
A atriz, que brilha como Heleninha Roitman em “Vale Tudo”, sambou muuuuito na área reservada aos convidados. E se tivesse uma indisposição, não teria problema, pois Eugênio, ops!, Luís Salém, interprete do mordomo dos Roitman, estava lá para lhe dar guarida. E a prudência, no caso, era uma só: a de sambar – e os atores não se fizeram de rogados.
Com eles ccaíram no samba a “mocinha Duprat” Alice Wegman, Érica Januzza e demais celebridades, reunidas ali pelo casal de promoters Liège Monteiro e Luiz Fernando Coutinho, numa escalação de elenco que não deixa nada a desejar a mais estelar das novelas.
E bons sambas não faltaram. Com Emanuelle o dueto foi de “Portela na Avenida” (Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte) numa clara reverência à escola de Clara Nunes (1942-1983), personificada pela cantriz no musical “A tal Guerreira”, em cartaz ali mesmo, na Cidade das Artes. Com Sombrinha, atacaram de “Malandro sou eu’, parceria do convidado com Arlindo Cruz. que faleceu no último dia 08.
E, no quesito homenagens, elas não faltaram e foram todas tocantes. Beth Carvalho (1946-2019) fez-se presente com “Andança” (Edmundo Souto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi), marco inaugural do seu repertório, e João Nogueira, anteriormente invocado no set dedicado ao Clube do Samba, foi homenageado pelo filho com“Espelho”, no momento mais tocante da noite.
E Diogo abriu ainda espaço no roteiro para uma canção de seu novo trabalho, “Sagrado vol.2”. A escolhida foi a malemolente “Ninguém segura o nosso amor” num sinal de que o artista entende –e muito – do riscado. Tanto é que o encerramento foi com “O show tem que continuar” (Arlindo, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila) e,convenhamos, não poderia ser de outra forma.
Diogo é como aquele nó na madeira da canção. Nó de marinheiro em madeira de lei.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Roberto Filho (imagens)

























