‘Nenhuma intenção de voltar’

julho 5, 2025

Michael Douglas revela não sentir mais vontade de atuar e critica a "autocracia" do governo de Donald Trump

Michael Douglas foi um dos grandes nomes presentes na última edição do Festival de Cinema de Karlovy Vary, na República Tcheca. Por lá, ele apresentou a versão remasterizada do clássico “Um estranho no ninho” e falou abertamente sobre a crise democrática nos Estados Unidos.

Em entrevista coletiva, o ator — vencedor do Oscar e um dos maiores nomes de Hollywood — demonstrou preocupação com a situação política do país sob influência do presidente Donald Trump.

— Estamos flertando com a autocracia. A democracia é preciosa, mas também vulnerável. Tem que ser constantemente protegida — alertou. Segundo ele, o idealismo americano ficou no passado: — As pessoas agora entram na política para ganhar dinheiro.

Douglas, que foi produtor do longa dirigido por Miloš Forman (1932-2018), voltou à cidade 50 anos depois da exibição original do filme no festival. O reencontro foi marcado por emoção e memórias ao lado do sobrinho do produtor Saul Zaentz e familiares do diretor tcheco.

— Era um festival novo na época. Miloš fez questão de vir. Foi muito especial. Essa cidade é encantadora — relembrou Douglas, que exaltou a potência da produção ao mencionar os indicados à estatueta de Melhor Filme de 1976, como “Tubarão” e “Barry Lyndon”. 

Durante o evento, também foi anunciado que a adaptação para TV de “Um estranho no ninho” está em desenvolvimento. A nova versão, baseada no livro de Ken Kesey (1935-2001), será contada sob o ponto de vista do personagem Chefe Bromden. Um remake do filme, no entanto, está fora de cogitação.

Michael também falou sobre saúde, carreira e planos futuros. Longe das telas desde 2023, quando atuou em “Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania”, o ator explicou que decidiu parar por vontade própria.

— Trabalhei duro por quase 60 anos. Não quero ser uma dessas pessoas que morrem no set de filmagem. Não tenho nenhuma intenção real de voltar. Digo que não estou aposentado porque, se algo muito especial surgir, posso considerar, mas fora isso, não.

Ele ainda relembrou o período em que enfrentou um câncer de garganta em estágio 4:

— Tive sorte. Fiz quimioterapia, rádio e escapei da cirurgia, que teria comprometido minha fala e o maxilar.

Por ora, o artista diz estar satisfeito em se manter nos bastidores — e em casa.

— No espírito de manter um bom casamento, estou feliz em interpretar o papel de marido da Catherine — brincou, referindo-se à sua esposa, a atriz Catherine Zeta-Jones.

Crédito da imagem: divulgação / Festival de Cinema de Karlovy Vary

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