O jornalismo carioca está de luto. Morreu nesta quarta-feira (02), no Rio de Janeiro, a jornalista Deborah Dumar. Ela estava internada no Hospital Israelita e faleceu, no fim da manhã, em razão de uma infecção pulmonar grave.
O convívio com o padrasto, o produtor teatral Djalma Limongi (1946-2018), levou-a a interessar-se pela efervescência cultural que tomou o Rio de Janeiro nos anos 1970. Tanto que a Cultura foi o segmento em que atuou ao longo de toda a sua trajetória jornalística, iniciada, na década seguinte, como repórter do Caderno B do Jornal do Brasil.
Vem dessa época, aliás, muitas das histórias com que divertia os amigos. Como a da matéria feita com um cantor hoje consagrado (e já com 72 anos) que, na época, iniciava-se na carreira solo. No dia em que a pauta foi publicada, ela recebe na sua mesa telefonema do artista cuspindo marimbondos em razão de o texto não ter sido… a capa do B.
Ainda no JB, ela ficou toda contente ao ser escalada para cobrir um festival de jazz na cidade. A alegria acabou quando soube que ficaria do lado de fora, abordando quem abandonasse o show. Dumar achou um absurdo e, à noite, viu que seu editor tinha razão. A debandada foi grande, e ela fez então um dos seus muitos textos marcados pelo bom humor.
A jornalista passou também pela redação de O Globo, onde também foi repórter de Cultura, vindo a atuar como editora da pasta no Luta Democrática. Ela voltou ao JB, desta vez como editora do B, em 20018, quando o diário, sob o comando do empresário Omar Peres, voltou a circular no formato impresso.
Um de seus lemas no cargo era o de que, com ela no comando, não haveria espaço para calhau (anúncio da própria casa, publicado onde deveria constar uma matéria). E assim foi até março de 2019, quando a nova versão do jornal deixou novamente de ser impressa.
Moradora da Glória, Dumar era muito popular no bairro, onde tinha mesa cativa no bar e restaurante Vila Rica, na esquina da Rua da Glória com a Cândido Mendes, onde morava. O corpo da jornalista será velado nesta quinta-feira (03), a partir das 10h30m, no Memorial do Carmo, onde será cremado.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e reprodução/facebook (imagem)





