‘Espelho desconfortável do presente’

junho 21, 2025

Carla Camurati fala da volta de “Carlota Joaquina, princesa do Brazil” aos cinemas em nova versão após 30 anos de estreia

O filme brasileiro de maior bilheteria nos anos 1990 está de volta. Trinta anos depois de sua estreia, “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil” retorna às salas de cinema em versão remasterizada em 4K, a partir do dia 14 de agosto. 

Símbolo do início da retomada do cinema brasileiro, o longa dirigido por Carla Camurati conquistou o público ao narrar com ironia a formação política e social do país. Estrelado por Marieta Severo, Marco Nanini, Marcos Palmeira, Vera Holtz e Ludmila Dayer, o roteiro — assinado por Carla ao lado de Melanie Dimantas — atravessa o final do século XVIII e início do XIX, e foca na trajetória da princesa espanhola prometida a Dom João de Portugal, além do impacto da chegada da corte ao Brasil.

— “Carlota Joaquina” fala com leveza de um país erguido sobre privilégios, acordos de conveniência e relações de poder. Temas que, infelizmente, ainda ecoam na nossa realidade. O filme se reafirma como um retrato provocador da nossa história, mas também como um espelho, por vezes desconfortável, do presente — diz Carla.

Para ela, ver sua estreia como diretora de volta à tela grande tem sabor especial:

— É uma emoção profunda saber que meu primeiro longa vai reencontrar o público no cinema. Revendo-o hoje, percebo que continua pulsando com força surpreendente. Vai ser lindo ver jovens, professores e famílias descobrindo, ou revendo, o filme no cinema, que para mim segue sendo o espaço ideal para a experiência coletiva da arte.

A produtora Bianca de Felippes lembra que o relançamento marca não apenas os 30 anos do filme, mas também uma trajetória importante para o audiovisual brasileiro.

— Queríamos comemorar a data redonda de “Carlota Joaquina” e tivemos a sorte de celebrar os 30 anos da retomada em um momento histórico para o cinema brasileiro, com a conquista do Oscar. De “Carlota” a “Ainda Estou Aqui”, foi uma longa travessia. Ver o filme em 4K, na tela grande, é insubstituível — comemora Bianca. 

Crédito da imagem: divulgação

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