Muito além de um galã

junho 19, 2025

Elencamos alguns dos momentos com os quais Francisco Cuoco ajudou a escrever a História da TV no país

Em uma cena de “O cafona”, novela de Bráulio Pedroso (1931-1990), Gilberto Athayde, o emergente interpretado por Francisco Cuoco, oferece uma recepção a nomes da sociedade carioca. Como nenhum dos convidados comparece, ele não dá o braço a torcer e convoca os serviçais a jantarem-se a ele à mesa. Essa é apenas uma das muitas cenas que levaram o ator a entrar de sola no coração do público brasileiro.

São muitas as cenas antológicas imortalizadas por ele, que faleceu nesta quinta-feira (19), aos 91 anos. E escolher um dentre tantos momentos marcantes exigiria evocar o bordão de Herculano, seu personagem em “O Astro”: “pensar, professor, pensar”…

Cuoco é daqueles atores que ao mesmo tempo em que construiu a própria trajetória, escreveu também a História da televisão brasileira, em especial a da TV Globo, emissora que festejou este ano suas seis décadas de existência e na qual o ator ingressou em 1970, integrando o elenco de “Assim na Terra como no céu”, novela de Dias Gomes (1922-1999).

Eu Prometo: Cuoco entre Fernanda Torres, Malu Mader e Júlia Lemmertz

Outra das muitas cenas antológicas foi ao ar no dia 04 de junho de 1976. Naquela noite, o público assistiu boquiaberto à emboscada que tiraria a vida de Carlão, o taxissista imortalizado por Cuoco em “Pecado capital”, de Janete Clair (1925-1983). A cena contrariava a máxima de que um protagonista  teria sempre um final feliz. E, com ela, Janete e Cuoco fizeram História.

Já estabilizado como prata da casa, Cuoco quebrou outro paradigma na novela “Da cor do pecado”, de João Emanuel Carneiro. Com Pai Gaudêncio, ele mostrou que era também um comediante de mão cheia. E o público entrou na dele.

Ainda que estigmatizado como galã, Cuoco sempre buscou as sutilezas como subtrfúgio para mostrar seu talento. Assim foi quando protagonizou “Eu prometo”, na qual viveu um político com princípios éticos quando o país virava a página da ditadura rumo à democracia. Diante do Congresso de hoje, seu Lucas Cantomaia poderia soar anacrônico, não em se tratando de um papel interpretado por Cuoco.

Francico Cuoco foi um Astro em nada charlatão, com um arsenal de personagens diversos, frutos da versatilidade que era uma de suas marcas. Ele sai de cena deixando um lugar cativo no coração do público e na História da TV brasileira, esta mesma que ele tanto ajudou a tornar-se um veículo de massas.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e divulgação\TV Globo (imagens)

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