São duas empoderadas avant la lettre – e, sim, estamos falando de muito antes de a expressão cair na língua corrente. São artistas que nunca deixaram-se levar por modismos, tendências e pelos ditames das gravadoras. E, por isso, pavimentaram seus caminhos às margens do que podemos chamar de mainstream. Companheiras de geração, viraram, reviraram e agitaram, para parafrasear o tema de uma delas, a cena musical – e aprontaram muito também.
Estamos falando de Cida Moreira e de Angela Ro Ro (1949-2025), duas das mais pungentes vozes femininas surgidas na cena musical na virada dos anos 1970 para os 1980. A primeira integrada ao que ficaria conhecida como Vanguarda Paulista, e a segunda, um dos mais autênticos nomes femininos que lançaram seus LPs de estreia naquele longínquo e profícuo ano de 1979.
Cida vai dedicar a Ro Ro um show inédito. E a iniciativa até poderia soar oportunista, não em se tratando da nossa Dama (In)digna, intérprete de compositores tão rascantes quanto os repertórios imortalizados por eles como Tom Waits e, mais recentemente, Sérgio Sampaio (1947-1994). “Me acalmo danando: a música de Angela Ro Ro” faz sua estreia nacional no Rio de Janeiro, em três apresentações no Manouche, na próxima quinta (29), no sábado (31) e no domingo, 1º de fevereiro.
– Vou me sentar diante de um piano para tocar as belezas que ela criou e cantar com paixão as canções tão lindas que escreveu. Tudo com um talento gigante. E assim vai acontecer – antecipa a cantriz, feliz com o fato de já estarem esgotados os ingressos para as duas últimas datas.
E a intérprete fala do cancioneiro da homenageada com propriedade e conhecimento de causa. Exímia pianista (como Ro Ro), Cida acompanhou a colega em apresentações – as primeiras da artista carioca – nos inferninhos e clubes de Sampa.
– Foi uma cumplicidade mágica, que me alimenta e traz um prazer poderoso – constata ela dando uma pista de como pretende reverenciar a amiga: – Serei sua cantora, sua cúmplice, sua aprendiz.
Mais do que isso, até: irmã-luz….
Créditos; Christovam de Chevalier (texto) e montagem com fotos (divulgação)





