‘Vivemos anos de chumbo, tortura e morte’

outubro 22, 2026

Boni recorda episódios de censura em produções da TV Globo na época da ditadura militar no país

Os bastidores da televisão brasileira também foram marcados pelas restrições impostas durante a ditadura militar. Em vídeo publicado em uma rede social nesta quinta-feira (22), José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, relembrou episódios de censura que enfrentou na TV Globo e relatou situações que, além de expor o controle sobre a produção artística, revelavam o caráter absurdo de algumas exigências do regime.

— Na época da ditadura, nós vivemos anos de chumbo, tortura, morte, exílio, o que você puder imaginar de pior, mas não deixa de ter o seu lado ridículo e que a gente pode explorar — afirma Boni, antes de contar histórias que atravessaram sua trajetória na televisão.

O executivo entrou na Globo em 1967 e permaneceu na emissora em cargos de liderança até 1997, passando pela direção-geral da Central Globo de Produções, pela superintendência de produção e programação e pela vice-presidência de Operações. Nesse período, acompanhou tanto os anos da ditadura, iniciada em 1964 e encerrada em 1985, quanto a retomada democrática no país.

Entre os casos lembrados está o da novela “O Bem-Amado”, quando Boni precisou passar a noite retirando dos diálogos a palavra “coronel”. Embora o termo se referisse a figuras tradicionais do interior do país, os censores implicaram com sua utilização. Segundo ele, a palavra precisou ser cortada 23 vezes. A situação contrastava com a abertura da própria novela, que trazia uma música de Vinicius de Moraes e Toquinho com referências a um barril de pólvora e um paiol — que ninguém ligava.

Nem mesmo Roberto Carlos escapou dos censores, segundo o executivo:

— Uma outra pérola dessas aconteceu no Natal, exatamente no especial do Roberto. Eles queriam que a gente tirasse uma cena onde as bailarinas estavam de pernas de fora e eles achavam aquilo extremamente perigoso.

Boni também resgatou uma história envolvendo Borjalo (1925-2004), cartunista e diretor que trabalhou por 36 anos na Globo e foi um de seus parceiros na construção do chamado padrão Globo de qualidade. Na ocasião, um censor reclamou dos filmes de terror e policiais exibidos após a meia-noite, embora não apontasse qualquer infração específica. Diante da insistência, Borjalo respondeu que a televisão tinha uma vantagem sobre o censor: contava com um botão que permitia desligá-la.

Créditos: Bruno Nunes (texto) e Reprodução/ internet (imagem)

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