
O ano era 1975, e o poeta Ferreira Gullar (1930-2016) estava de volta ao país após temporadas exilado no Chile e na Argentina. O também poeta Vinicius de Moraes (1913-1980) tratou de organizar um encontro em torno do amigo e, ao convidar o cantor e compositor Raimundo Fagner, argumentou: “Vou te apresentar ao maior poeta brasileiro”. – Oxe, e o maior poeta brasileiro não é você? – devolveu Fagner na lata.
O episódio ilustra a admiração de Fagner por aquele que, juntamente com Tom Jobim (1927-1994) e João Gilberto (1931-2019), compõe a Santíssima Trindade dos criadores da bossa nova, gênero que o cantor e compositor cearense visita em um show no Rio de Janeiro. E com direito a apresentar uma parceria entre ele e… Vinicius.
A inédita “Um amor que é só meu” está entre as preciosidades que o cantor e compositor selecionou para as apresentações que faz nesta segunda (15) e terça (16), às 21h, no Vinicius Show, a casa dedicada ao segmento que reabriu em julho no Rio.
– “Um amor que é só meu” farei apenas ao violão. As outras seguirão a ordem do disco – adianta Fagner ao NEW MAG.
Sim, o repertório é o de um álbum inédito que sairá pela Biscoito Fino e no qual o artista interpreta clássicos do segmento como “Chega de saudade” e “O canto de Ossanha”, parcerias de Vinicius com Tom e com Baden Powell (1937-2000), respectivamente; além de temas do Maestro Soberano como “Águas de março” e “Por causa de você”, esta em parceria com Dolores Duran (1930-1959).
– “Tereza da Praia” (de Tom e Billy Blanco) foi gravada com Zeca Baleiro num dueto no qual homenageamos Dick Farney e Lúcio Alves, intérpretes da gravação original – revela Fagner, que promete fazer o duo ao vivo.
Sim, Baleiro é um dos convidados especiais que subirão ao palco da casa para palinhas musicais. Os outros são dois expoentes do segmento: Wanda Sá e Marcos Valle. O show conta ainda com direção musical de José Milton, produtor de álbuns antológicos de Nana Caymmi (1941-2025), que arregimentou um quarteto fantástico composto por Marcos Ariel (piano), André Gonçalves (violão), Rodrigo Vila (contrabaixo) e Helbe Machado (bateria).
– O Vinicius segurou muito a minha onda na Philips (hoje Universal) – contou Fagner em maio deste ano em entrevista ao NEW MAG que pode ser lida aqui: – A poesia fica, ela não passa.
E quando o intérprete é do quilate de Raimundo Fagner aí é que ela fica mesmo.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto),arquivo pessoal (imagem alto) e João Luiz Azevedo (imagem músicos)






