‘Vai seguir até o túmulo’

janeiro 17, 2026

Matt Damon diz que cancelamento é pior do que ser condenado à prisão

Matt Damon voltou a falar publicamente sobre a chamada cultura do cancelamento em Hollywood, desta vez em tom mais direto e pessoal. Durante para divulgar seu filme “The rip — Ponto de ruptura”, da Netflix, o ator refletiu sobre os efeitos duradouros da exposição pública negativa e afirmou que, em alguns casos, o julgamento social pode ser mais devastador do que uma punição formal.

— Aposto que algumas dessas pessoas prefeririam ir para a cadeia por 18 meses ou algo assim, sair e dizer: “Paguei minha dívida. Acabou” — disse Damon.

Para o ator, o problema do cancelamento é justamente a ausência de um ponto final.

— Isso nunca acaba. É a primeira coisa que aparece. Vai te seguir até o túmulo.

A conversa surgiu a partir da definição feita por Rogan, que descreveu o cancelamento como o ato de “pegar algo que você disse ou fez, exagerar ao máximo e te expulsar da civilização para sempre”. Damon concordou e resumiu em uma palavra o alcance desse processo: “Para sempre”.

O ator conhece de perto o impacto das reações nas redes. Em 2021, uma entrevista do ator gerou forte repercussão após ele comentar que havia parado de usar um termo homofóbico apenas “meses antes”, depois de ser confrontado por uma de suas filhas. À época, ele se pronunciou para esclarecer o contexto e disse que nunca utilizou a palavra em sua vida pessoal nem faz uso de insultos.

— Tudo começou quando tentei contextualizar para minha filha o progresso que foi feito, embora ainda incompleto, desde que eu cresci em Boston, ouvindo essa palavra ser usada casualmente nas ruas — explicou Damon.

Segundo ele, a reação da filha foi decisiva.

— Ela foi extremamente articulada sobre o quanto isso teria sido doloroso para alguém da comunidade LGBTQIA+, independentemente de quão normalizado fosse culturalmente.

O ator reforçou sua posição no mesmo comunicado.

— Nunca chamei ninguém dessa forma na minha vida pessoal. Aprendi que erradicar o preconceito exige uma ação ativa em busca de justiça, não um conforto passivo em me imaginar “um dos bons” — E concluiu: — Para ser o mais claro possível, apoio a comunidade LGBTQIA+.

Apesar da controvérsia, a carreira de Damon seguiu sem grandes abalos. Nos últimos anos, ele esteve em produções de destaque como “Air: A história por trás do logo” e “Oppenheimer” e retorna aos cinemas em 2026 como protagonista de “A Odisseia”, novo filme de Christopher Nolan. Para ele, no entanto, o debate permanece aberto — especialmente sobre como a indústria e o público lidam com erro, exposição e permanência da culpa no espaço digital.

Crédito da imagem: reprodução / Internet

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