Márcio da Costa Batista, mais conhecido como Mumuzinho, é daqueles artistas que são raridade no Brasil. Multifacetado, ele construiu uma trajetória admirável unindo samba, humor e entretenimento. Do início nos pagodes do Rio de Janeiro às grandes turnês nacionais, o cantor e ator soube ocupar muitos palcos — e em todos eles deixou seu carisma brilhar. Na música, soma sucessos como “Eu mereço ser feliz”, “Curto circuito” e “Fulminante”, além de homenagens, como a recém-lançada “Arlindo Luz”, que celebra o legado de seu mestre e ídolo Arlindo Cruz, que morreu nesta sexta-feira (08) no Rio de Janeiro. Na TV, cativou o público ao lado de Regina Casé no “Esquenta”, da TV Globo. Na emissora, fez parte da nova versão de “Os trapalhões”, em 2017, homenageando o saudoso Mussum (1941-1994). Isso sem falar nas suas participações na novela “Todas as flores” e no filme “Cidade de Deus”. Em entrevista exclusiva ao NEW MAG, Mumuzinho relembra momentos marcantes com Arlindo, fala sobre preconceito, mistura de gêneros musicais, a admiração por Alcione e revela se volta ou não ao “The Voice Brasil”, programa em que participou como técnico.
“Arlindo Luz” é uma homenagem muito emocionante ao mestre Arlindo Cruz. O que fez você sentir que essa era a música certa para prestar esse tributo?
Já faz bastante tempo que queria gravar uma música em homenagem ao Arlindo. Ainda antes de gravar o projeto “Conectado”, há mais de um ano, já tinha esse desejo. Mas teria que ser a música certa, aquela que batesse forte no coração. Então, pedi ao Prateado, que já fez várias composições com o Arlindo, para escrever um samba emocionante, que nos deixasse arrepiado, assim como muitas das músicas que o Arlindo fez. Ele compôs “Arlindo Luz” juntamente com Picolé, outro grande compositor. Assim que a ouvi pela primeira vez, sabia que era a música perfeita para fazer essa homenagem.
Você viveu uma fase especial ao lado do Arlindo no “Esquenta”. Qual é a lembrança mais marcante desse período e de tudo o que vocês compartilharam ali?
Tivemos muitos grandes momentos no “Esquenta”, tanto no palco quanto nos bastidores. Só de ficar ao lado do Arlindo era uma grande aula. Além de ser um compositor de mão cheia e um melodista incrível, ele tinha um jeito só dele de tocar banjo. Arlindo sempre foi uma pessoa maravilhosa. Ele estava sempre rindo, de bom humor, tranquilo. Sempre gostou de piada e ria muito com as imitações que eu fazia. Vou guardar esses momentos pra sempre no meu coração.
Um dos lemas do programa, inclusive, era “Xô preconceito”. Você sente que já sofreu — ou ainda sofre — algum tipo de preconceito, como o racismo?
Sim, já sofri. No início da minha carreira, quando comecei a ganhar visibilidade, usei muito o humor como forma de defesa para superar situações de preconceito e não me sentir exposto.
Você tem muita admiração por Alcione, outro grande nome do samba. Como foi o seu primeiro encontro com a Marrom? Sentiu receio ao imitá-la frente a frente?
Quando estava começando a minha carreira, frequentava alguns pagodes nas casas de artistas e produtores, entre eles a da própria Alcione, Regina Casé e José Maurício Machline. As pessoas que frequentavam essas rodas de samba já sabiam que eu costumava imitar alguns cantores famosos, entre eles a Alcione. Num desses encontros em que ela estava, me pediram para imitar a Marrom. E ela adorou! É uma homenagem carinhosa que faço até hoje pra ela.
Como você vê a mistura cada vez mais latente do funk com o samba? Você é mais purista ou aberto a essa nova tendência?
O próprio Arlindo sempre me dizia para cantar de tudo: samba, pagode, pop, funk… E nunca tive esse preconceito. Um exemplo disso é a música “Raiva nas outras”, que lancei recentemente e está no meu DVD “Conectado”. Ela é uma colaboração minha com o MC IG, hoje um dos grandes expoentes do funk. É um pagofunk de responsa.
Como ator, você também brilhou em novelas, filmes e trabalhos na televisão. Há planos para retornar à atuação? Como você equilibra essa vertente com a carreira musical?
Sou muito grato a todas as experiências que tive no cinema e na TV. E não descarto novos trabalhos nessas áreas. Porém, agora, estou focado na minha carreira musical. Assumi a gestão da minha carreira e montei o meu próprio escritório, a MMZ Music, o que tem me demandado muita disponibilidade e entrega. Além disso, sigo pelo país com a turnê do show “Conectado”.
Você também foi técnico em diferentes versões do “The Voice Brasil”. Com o formato indo para o SBT, os fãs estão na expectativa de te ver novamente no programa. Chegou a ser convidado para retornar? Voltaria caso fosse convidado?
Vivi grandes momentos no “The Voice”, um programa que faz parte da minha trajetória. Com certeza, ficaria muito feliz com o convite para essa nova temporada.
Créditos: Bruno Nunes (texto) e divulgação (imagem)





