O audiovisual brasileiro começa a pensar — e agir — de forma mais sustentável. No centro desse movimento, o RioMarket 2025 lançou debates que apontam para uma nova fase da indústria: mais consciente, integrada e preparada para o futuro. O evento, braço de negócios e inovação do Festival do Rio, reuniu autoridades, produtores, distribuidores e executivos no Armazém da Utopia, na Zona Portuária do Rio de Janeiro.
Encerrada no último sábado (11), a edição deste ano teve como tema “A construção da nova indústria do audiovisual brasileiro”, refletindo a articulação do setor em torno de uma política de Estado e de um novo modelo de desenvolvimento — sustentável e competitivo — inspirado em referências internacionais.
Em entrevista exclusiva ao NEW MAG, Marcos Didonet, diretor do RioMarket e do Festival do Rio, detalhou alguns dos projetos que ganharam corpo nesta edição, como a criação do selo verde do audiovisual e o programa de capacitação para pequenas produtoras e distribuidoras.
— O selo verde surgiu como um diferencial importante para as produções audiovisuais — explica Didonet, que prossegue: — Estamos reunindo experiências e discutindo como envolver toda a cadeia produtiva. Não adianta trocar copos plásticos por recicláveis, é preciso evoluir, repensar energia, iluminação e transporte. Só será possível estabelecer o selo quando todos esses elos estiverem alinhados.
Segundo ele, a meta é transformar práticas pontuais em uma política permanente de sustentabilidade:
— As séries brasileiras, por exemplo, gastam em média 800 mil reais só com combustível, e isso gera emissão. Por que não pensar em carros elétricos? Mas, para isso, é preciso criar linhas de crédito que tornem essa transição viável. Estamos discutindo exatamente esses caminhos.
Outro foco de Didonet é o fortalecimento das pequenas empresas do setor, com programas de treinamento e acesso a captação de recursos.
— Precisamos profissionalizar os produtores, distribuidores e pequenas produtoras para que eles entrem na engrenagem da indústria. Hoje, há linhas de crédito no BNDES, BRDE e Ancine, mas muitos não conseguem acessá-las por falta de preparo documental ou burocrático. A formação básica vai resolver essa lacuna — afirma.
Para o diretor, o RioMarket cumpre justamente esse papel de articulação e convergência.
— O encontro de todo mundo é o que faz a diferença. É daqui que saem as diretrizes e os planejamentos. O RioMarket é onde o setor pensa junto o futuro do audiovisual brasileiro — completa.
Créditos: Bruno Nunes (texto) e Eny Miranda (imagem)





