A criatividade não tem limites para Fause Haten. O multiartista, reconhecido por sua trajetória marcante como estilista, apresenta pela primeira vez ao público carioca seu trabalho no teatro. Com direção, texto e atuação do próprio, “Eu sou um monstro” estreia no dia 04 de setembro no Teatro Poeirinha, no Rio de Janeiro.
Não é a primeira incursão do estilista pelo teatro, pelo contrário. A peça encerra uma trilogia iniciada em 2014, com “A feia Lulu”, e seguida por “Lili Marlene – Um anti musical” (2017). O espetáculo solo mescla teatro, performance, vídeo e artes plásticas em torno de reflexões sobre os limites — ou a falta deles — na arte, a relação dos criadores com suas personas e com a plateia, além do amor e suas diferentes formas de expressão.
Para compor a obra, Fause partiu de um episódio real da vida do artista plástico Francis Bacon (1909-1992). Em 1971, na noite em que o Grand Palais de Paris homenageava o pintor com uma retrospectiva, George Dyer, seu amante, cometeu suicídio. O corpo foi encontrado por Bacon e sua agente, que decidiram mantê-lo no local para não “estragar” o grande dia.
— Assisti a um documentário sobre a vida do Francis Bacon e tomei conhecimento desse acontecimento que me atordoou. Inspirado por esse relato, escrevi um conto ficcional. Depois, surgiu a ideia de transportar a narrativa para o teatro. Comecei a fazer leituras individuais para amigos atores e diretores — conta Fause, que prossegue: — A cada leitura, fui fazendo improvisos e registrando tudo, até chegar nesta performance. É uma obra que tem esse momento na vida do Bacon como gatilho, mas é um texto que fala de todos os artistas.
O espetáculo se constrói na mistura de ficção e realidade. O artista se propõe a narrar uma história, mas de forma nada convencional, envolve o público com sua habilidade performática em uma espécie de jogo entre leitura e explosões de interpretação. O resultado é uma narrativa frenética que se equilibra com momentos de delicadeza — um thriller poético.
As imagens apresentadas em cena também fazem parte da obra de Fause. São fotos-performances que ele define como parte de sua forma expandida de criação:
— A partir de uma pesquisa ou tema, palavras podem vir acompanhadas de imagens, vídeos, pinturas, esculturas e diversos gestos e desdobramentos em várias plataformas. Durante o ano em que trabalhei o texto, estava fazendo esses experimentos que chamo de “selfiesculturas”. Algum tempo depois, entendi que essas imagens eram os rostos distorcidos das obras do Bacon e representavam as obras do artista que descrevo na minha performance.
Crédito da imagem: Rafa Marques





