‘Terei prazer em acabar com as Bets’

setembro 24, 2026

Lula defende a soberania nacional e a Cultura como cláusula pétrea em encontro com artistas no Rio de Janeiro
Benedita da Silva, Paulinho da Viola, Lula e Chico Buarque no palco da Fundição Progresso, Rio de Janeiro

“Não tem nada melhor para abrir a cabeça de um indivíduo do que a atividade cultural”. A constatação foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à reeleição, na noite da última quarta-feira (23). E a fala deu-se no que é já uma tradição na agenda eleitoral do candidato: seu encontro com a classe artística no Rio de Janeiro. O evento, acompanhado por NEW MAG, levou à Fundição Progresso, na Lapa, zona central da cidade, nomes representativos de segmentos que iam da música à TV, passando pelo cinema, teatro e pela literatura.

Às 19h, horário previsto para o início do encontro, a casa já estava lotada, com plateia e as arquibancadas, em dois níveis superiores, ocupados por agentes de Cultura e por representantes da sociedade civil afinados com a esquerda. A noite contou ainda com postulantes a diferentes cargos nas eleições deste ano, como a deputada e candidata ao Senado pelo PT, Benedita da Silva, um dos nomes mais aplaudidos da noite, e a candidata do PSOL ao Senado Mônica Benício, que teve seu nome gritado pelo público.

Lula entrou às 20h16m, acompanhado pela primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e pela ministra da Cultura Margareth Menezes.  Ali no palco, encontrou seus apoiadores, alguns deles seus eleitores desde sua primeira candidatura, em 1989. A música fez-se presente por baluartes como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Geraldo Azevedo e Zeca Pagodinho, pelas cantoras Daniela Mercury e Fernanda Abreu, além de nomes de gerações mais recentes como Chico César, Lenine, Paulinho Moska e Xamã. Grandes nomes como Marieta Severo, Lucy Barreto e Antonio Pitanga estavam entre os artistas reunidos ali pelo casal de promoters e empresários Liège Monteiro e Luiz Fernando Coutinho.

A noite começou com o casal de cantores Natália Voss e Edu Krieger, famosos pelas paródias musicais que fazem no instagram. A dupla fez uma releitura de “Coração bobo”, de Alceu Valença, na qual o verso “A gente se ilude dizendo já não há mais coração” foi substituído por “A gente quer Lula que nunca chamou Vorcaro de irmão”. Coube ao sambista Pixulé cantar o Hino Nacional com muitos dos presentes fazendo o ‘L’ com os dedos no trecho “Verás que um filho teu não foge à luta”.

Indagado pela atriz Juliana Alves sobre a importância da continuidade das políticas culturais em curso, Lula aproveitou os parlamentares presentes para pedir por mais consciência do Poder Legislativo para que a Cultura seja vista como um bem perene à sociedade:

— É necessário colocar na Constituição o que a gente quer como Cultura. Estou vendo vários deputados aqui. Será necessário entrar com uma emenda para que a Cultura seja vista como uma cláusula pétrea da Constituição.

Recém chegados dos Estados Unidos, onde, na última terça-feira, discursou na Assembleia Geral da ONU, Lula chamou atenção para as diferenças da sua fala em relação às do presidente norte-americano, Donald Trump.

— Não comecei minha fala dizendo que tinha os melhores artefatos de guerra. Este país foi pensado para poucos. E como tenho a dimensão do meu tamanho, quero ganhar dele (Trump) na narrativa – pontuou, após discorrer, minutos antes, sobre a importância de levar a literatura aos locais aonde a população carente vive: — Todo conjunto habitacional tem de ter uma biblioteca. As bibliotecas ficam nos centros das grandes cidades, distantes dos bairros carentes. Não há nada que substitua o cheiro da página de um livro.

Instada pelo jornalista Muka, mestre de cerimônias do evento, a se pronunciar, a cantora Daniela Mercury enalteceu a trajetória de Lula e fez um agradecimento em especial:

— Estamos lutando para dar continuidade às políticas públicas. Você é nossa inspiração. Quero aqui te dar os parabéns pela campanha contra as Bets.

As plataformas de apostas on-line foram outro dos pontos levantados por Lula em uma de suas falas. As apostas, que levam a população carente a assumir dívidas que não pode arcar, será combatido em seu quarto mandato, mesmo com a pauta sendo criticada por clubes de futebol.

— Uma parte da juventude está atrelada a algoritmos. Por isso terei imenso prazer em acabar com as Bets. Há empresas ganhando dinheiro a partir do endividamento dos mais pobres. Não se trata de uma guerra, mas de uma decisão – salientou.

Chamado no calor do momento a falar, o sempre reservado Chico Buarque destacou a longeva relação do amigo com o segmento e destacou o fato de poder conhecer ali nomes da nova cena musical.

— Temos aqui uma pequena amostra do que o Brasil produz e do que o Brasil gosta naquilo que produz. E vemos aqui o que é um presidente que gosta de Cultura. Não gostar de Cultura é não gostar do ser povo – destacou o compositor.

E esse bem-querer é recíproco. E pôde ser visto naquele palco e naquela noite, com importantes representantes de diferentes segmentos das artes ali reunidos.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Cristina Granato (imagens)

 

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