Maurício Magalhães de Carvalho estava recém-chegado aos 20 anos quando, em 1977, formou com três amigos um novo grupo musical – o segundo do tecladista. Os integrantes naquele primeiro ano eram o baixista Dadi Carvalho, seu irmão mais velho (que, ainda garoto, tocara com os Novos Baianos), o guitarrista Armandinho e o batera Gustavo Schroeter. Eles certamente não suspeitavam, mas abriam ali alas para a legião urbana de grupos que tomariam a cena pop na década seguinte.
O grupo em questão era o A Cor do Som, e Maurício ficara conhecido como Mú, seu apelido. O apuro musical do grupo levou-o a ganhar músicas de mestres como Gilberto Gil, que confiou a eles sua “Palco” – lançada em 1980 e só gravada por Gil no ano seguinte – e a acompanharem Chico Buarque em “Hino de Duran” no álbum que trazia, em 1979, a íntegra do repertório do musical “Ópera do Malandro”.
Mú Carvalho veio e, numa corruptela da célebre frase napoleônica, (ou)viu e venceu. E viveu histórias – muitas delas saborosas. Esses causos estão agora reunidos num livro. “Memórias sintetizadas” será lançado no dia 26 deste mês na Livraria Argumento, no Rio de Janeiro.
— Começo o livro pelo meu berço, numa família supermusical, com meus irmãos, com minha mãe, pianista, e com minha avó, que era pianista na época do cinema mudo, em Juiz de Fora (MG) – revela Mú, que fala também do grupo formado antes de A Cor do Som existir.
O conjunto em questão era A Semente, composto simplesmente por Claudio Nucci e Zé Renato (que pouco depois integrariam o Boca Livre), por Zé Luiz, às do saxofone (são dele os solos ouvidos em “Um trem pras estrelas”, filme de Cacá Diegues) e pelo baterista Claudio Infante, o Claudinho. A ideia de anotar fatos importantes da própria trajetória tomou o compositor pouco mais de dez anos atrás, e acabou indo para escanteio, como ele conta:
— Num determinado momento abandonei a ideia do livro. A pergunta que me vinha era se aquilo de ficar falando da minha vida interessaria às pessoas, e deixei de lado aquele material que havia começado.
Até que uma DM no instagram levaria o músico a rever a ideia. O remetente era Paulo Gebaile que sondava se ele já havia pensado em escrever um livro. O jornalista acompanhava o músico pelas redes sociais e usou como justificativa aquilo que Mú colocara em xeque: ele tinha, sim, histórias a contar – e elas não eram poucas.
Mú e Gebaile passaram a ter conversas uma vez por semana. Os fatos eram narrados ao jornalista que, após transcrevê-los, os devolvia ao músico, que dava seus pitacos no texto. Essa troca durou cerca de um ano e, a partir dela, o livro ganhou forma.
— Esse trabalho, semanal, levou pouco mais de um ano, e foi muito importante para que o livro acontecesse – pontua Mú. — A narrativa é cronológica, e vou falando dos artistas com os quais toquei, como Gilberto Gil, Chico Buarque, Legião Urbana e, claro, da TV Globo, onde trabalhei. Vou contando de maneira cronológica essas histórias, que são gostosas de ler.
E não há sombra de dúvida de que não sejam. Afinal, apuro artístico é algo que Mú Carvalho sempre teve.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e divulgação (imagem)





