Quando o assunto é Karinah, Milton Cunha não economiza elogios. Ele entende do riscado e a define como musa da Estação Primeira de Mangueira. Karinah é também, como já atestado aqui, a dona de uma das mais belas vozes femininas do samba, seguindo a linhagem de padroeiras – e sem imitar nenhuma delas – como Clara Nunes (1942-1983), Beth Carvalho (1946-2019) e Alcione, esta, aliás, sua madrinha artística.
Karinah é daquele tipo de artista que, quando tem algo a dizer (e a cantar), é melhor não titubear e se inteirar do que ela tem a mostrar. E sua novidade mais fresca é o clipe de “Ripiei’, que conta com a luxuosa participação de Carlinhos Brown, coautor com André Lima da faixa, um samba malemolente com pitadas de ijexá (ou seria o inverso?).
E o local do lançamento foi o Mirante do Pedrão, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro – e a escolha não poderia ter sido mais assertiva. Ali, com a Cidade Maravilhosa a seus pés, Karinah recebeu, no fim da tarde da última quinta-feira (15), artistas e amigos, todos eles também seus súditos e por que não?
E lá foram baluartes e talentos de diferentes gerações do samba, como Dudu Nobre, que cantou com a anfitriã, Rildo Hora, sumidade por trás de obras-primas fonográficas lançadas por grandes nomes do segmento, Marcelo Azevedo e o casal Anita e Afonso Carvalho, empresários que dão as cartas na cena musical; Nilcemar Nogueira, neta de Cartola (1908-1980), e Feyjão, outro jovem talento do samba com brevê para voar alto – e voará. Todos ali reunidos pela dupla de empresários e promoters Liège Monteiro e Luiz Fernando Coutinho.
O calorão que andou grassando sobre a cidade pegou leve naquele fim de tarde. Até porque, mesmo o sol, astro rei, não poderia ofuscar a luminosidade de Karinah, estrela de primeira grandeza do samba.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Eny Miranda (imagens)




























