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março 16, 2026

Thiago Soares encanta personalidades com espetáculo inspirado em ópera e no qual sua companhia de dança brilha
Gabriela Mendez e João Victor Lima em uma das cenas de “Carmem”: passionalidade e elegância

“Carmen é uma ópera, um libreto, e virou um balé, que virou um corpo e que virou um agora”. Tais palavras são proferidas por Nelson Freitas no prólogo de “Carmem”, espetáculo da Companhia de Dança Thiago Soares apresentado no fim de semana no Rio de Janeiro. E à fala do ator poderia acrescentar que o tal “agora” é um espetáculo vibrante cujo resultado extrapola a passionalidade e a sensualidade pintadas por Georges Bizet (1838-1875) na ópera que serviu de inspiração à dança.

Uma plateia formada por personalidades, autoridades e personagens da vida social carioca rumou para o Teatro Municipal Carlos Gomes, no Centro da cidade, onde o espetáculo estreou na noite do último sábado (14). Os atores Regiane Alves e André Mattos (o delegado Jairo da novela “Três Graças”), a coreógrafa e grande dama do balé Nora Esteves, o cineasta e diretor de TV Marcos Schechtman e o cônsul-geral da China no Rio de Janeiro, Wang Haitao, foram alguns dos presentes, reunidos pelo casal de empresários e promoters Liège Monteiro e Luiz Fernando Coutinho.

E assistiram a um espetáculo marcado pela precisão e pela excelência artística, num resultado primoroso e arrebatador. Se na estreia, Dom José foi dançado pelo turco Alikan Guçoglu, no dia seguinte, minutos antes de o espetáculo começar, o público foi surpreendido pelo aviso de que o referido personagem seria interpretado por Thiago, ele próprio o responsável pelas coreografias.

Tudo ali é executado pelos bailarinos (e seus diferentes corpos num exemplo de abertura do grupo à diversidade) em perfeita sintonia tanto com a trilha sonora, com  muitos dos números da ópera, quanto com o eficiente desenho de luz criado por Maneco Quinderé. Não há atrasos, lapsos, falhas e, no jargão da dança, “sujeiras” nas coreografias, num resultado mais que preciso; precioso.

E, em meio a cenas vibrantes, dois momentos chegam à esfera do sublime. O primeiro deles é o primeiro dos dois pas de deux executados por Alikan/Thiago com Gabriela Mendez. A bailarina dá, aliás, ao papel-título o tom exato entre a exuberância e a elegância, sem resvalar em momento algum pela vulgaridade, num recurso que poderia ser óbvio e desastroso.

O outro momento é o solo em que Dom José dança ao som de “Sonho de amor”, de Liszt (1811-1866).  – Dom José é um personagem muito triste e soturno, e criei esse número com o intuito de estabelecer um momento de empatia entre o público e ele – explicou Thiago ao NEW MAG ao fim da sessão.

E a empatia foi estabelecida desde a primeira coreografia, ao som da icônica “Habanera”. Se o espetáculo pretende-se um grito pela liberdade feminina, como falado aqui, ele não somente cumpre este propósito como vai além. E louva a liberdade num sentido mais amplo e geral.

Thiago Soares e seus bailarinos mostram que é possível atingir um resultado artístico em que rigor, precisão e beleza estão em perfeito conluio. Timothée Chalamet precisa assisti-los. Quem sabe, assim , ele não  repensa suas visões sobre ópera e dança?

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Cainã Dittrich/ LGM Eventos (imagens)

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