‘Referência mítica e mística’

dezembro 28, 2025

Brigitte Bardot, que morreu aos 91 anos, ajudou a consolidar no cinema nomes como o de Jean-Luc Godard, como aponta o crítico Rodrigo Fonseca

Os turistas que, em visita à paradisíaca Armação dos Búzios, na Região dos Lagos fluminense, posam para selfies juntamente com a estátua de Brigitte Bardot certamente não dimensionam o quão significativa foi a atriz francesa à humanidade. Bardot virou a cabeça dos homens e ajudou – e muito – no que hoje é chamado de empoderamento feminino. A atriz já era uma estrela quando, em meados dos anos 1960, visitou aquela então remota  faixa de areia que, anos depois, acabaria celebrizada em razão da estada da musa por lá.

A atriz, que faleceu neste domingo (28), iluminou com seu brilho muito mais do que aquela vila de pescadores fluminense, mas ajudou a arejar e a modernizar nossa mentalidade ao levantar bandeiras como a das causas animais. E, a convite de NEW MAG, o crítico de cinema Rodrigo Fonseca elenca algumas das peculiaridades que levaram a estrela a despontar de símbolo sexual ao mito que sai de cena aos 91 anos.

– Bardot flanou por caminhos muito diferentes, abraçada a ideologias como a da causa dos animais, uma ideologia mais do que necessária, e foi, aos poucos, se afastando das telas. Mas deixou uma referência mítica e mística do empoderamento e do quanto ele é ameaçador a uma sociedade patriarcal – reconhece Fonseca.

Dentre os 45 filmes estrelados pela atriz francesa, um em especial é apontado pelo jornalista como sendo duplamente revolucionário. “Desprezo”, de Jean-Luc Godard (1930-2022), é destacado como um divisor de águas tanto na vida da estrela quanto na do cineasta franco-suíço.

– Ela assegurou ao cinema uma das interpretações mais icônicas no que diz respeito à decadência burguesa e à corporalidade da solidão que é o que ela faz em “Desprezo”, do Godard. Um filme que, aos olhos de hoje, já expõe todo um conflito relacionado à objetificação dos corpos ao colocar, em primeiro plano, numa espécie de raio X, uma alma desarticulada. Trata-se de um filme de 1963 que estabelece o semiólogo suíço e nascido em Paris, como um dos mais importantes diretores do seu tempo e de todos os tempos – reconhece o crítico destacando também a importância daquele trabalho à trajetória de Bardot: – E, ao mesmo tempo, consolidou a fama da estrela, que vinha de “E Deus criou a mulher” como um mito de várias representatividades do feminino no cinema.ao longo do tempo,

Fonseca só lamenta um fato; o de a estrela ter se afastado das telas em 1973, aos 39 anos. Apesar da trajetória breve, o crítico reconhece que sua contribuição á sétima arte foi imensa.

– Bardot foi uma atriz que atuou muito menos do que poderia, mas, como persona e como signo, deixou uma imensidão como legado—arremata ele.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e divulgação (imagem)

 

 

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