‘Quero gravar novos álbuns’

agosto 7, 2025

Alok lança álbuns com artistas indígenas e fala da importância de o país conectar-se à sua verdadeira identidade

Alok sabe conectar não só batidas e gêneros musicais, mas também territórios, culturas e tempos. Em parceria com artistas indígenas de sete etnias, o DJ e produtor apresenta a Coleção “Som Nativo”, composta por oito álbuns que celebram o Dia Internacional dos Povos Indígenas — comemorado neste sábado, 09 de agosto — e reforçam a importância da preservação das línguas originárias. O lançamento é do Instituto Alok em cooperação com a Unesco e chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (08).

— Não participo como produtor musical nesses álbuns, são para o público desfrutar das tonalidades originais desses artistas incríveis. Meu desejo é que possamos gravar novos álbuns no futuro. Há uma fabulosa riqueza musical entre as centenas de etnias indígenas que habitam o Brasil — diz o artista, que reuniu cantos dos Guarani Kaiowá (MS), Kariri Xocó (AL), Huni Kuin (AC) e Yawanawa (AC), entre outros.

A maioria das faixas foi gravada em idioma nativo, com arranjos autorais, sem interferência criativa de Alok.  A iniciativa dá sequência ao projeto “O futuro é ancestral”, lançado em 2023 e indicado ao Grammy Latino. Agora, com os novos registros, amplia-se o acervo musical indígena e o diálogo com o mercado fonográfico. 

— Nosso álbum é a nossa voz, nossa palavra, escutem a nossa origem, escutem a nossa canção — afirma Clemerson, integrante do grupo.

As letras traduzidas para o português, inglês e espanhol estão disponíveis no site do Instituto Alok. Além de proporcionar acesso ao conteúdo, o projeto reverte 100% da monetização para os artistas indígenas participantes — e dá mais um passo para que as mensagens milenares continuem circulando e inspirando o presente.

— Desde 1500, com a chegada dos portugueses, há um preconceito enorme contra a gente, com os povos indígenas. Falam que o indígena quando usa o rap, perdeu a sua cultura. E, quando mostramos a nossa cultura, falam que o indígena é selvagem. Mas vamos continuar seguindo, mostrando nossa arte e nossa tecnologia, que também é cultura — afirma Owerá, rapper da etnia Guarani Mbyá.

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