‘Queríamos material novo’

setembro 22, 2026

Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes lançam álbum juntos e preparam-se para viajar o país em 2027

Ainda que tenha gravado uma canção dos Titãs em seu álbum de estreia, Adriana Calcanhotto só gravaria Arnaldo Antunes em seu segundo LP, “Senhas”. A canção em questão foi “Velhos e jovens”, parceria com Péricles Cavalcanti. A cantora voltaria a beber em Arnaldo no seu terceiro CD, “A fábrica do poema”, onde gravou “Estrelas”, do poeta com Sérgio Britto.

Afinidades nunca faltaram. A tão esperada parceria aconteceria com “Para Lá”, lançada por Arnaldo em “Qualquer” (2006) e regravada por Adriana em “Maré” (2008). Pois o sonho que certamente muitos fãs da dupla acalentavam virou realidade. Os dois artistas finalmente gravaram juntos – e um álbum com 11 faixas, sendo dez delas inéditas.  “Vice-Versa” chega às plataformas nesta terça-feira (22).

Marisa Monte entra na parceria em “Na minha carne viva”, enquanto “Sorriso Livro”, da Timbalada, ganha nova leitura. Pupillo, ex-Nação Zumbi, assina a produção e também toca bateria e percussão.

“Vice-Versa” não ficará restrito ao disco. Em março de 2027, Arnaldo e Adriana caem juntos na estrada para uma turnê por seis cidades brasileiras. As novas músicas estarão no centro do espetáculo, realizado pela 30e com direção de arte a cargo de Daniela Thomas, responsável pela cenografia de “Tempo Rei”, última grande turnê de Gilberto Gil.

A virada começou no palco. Em 2024, Arnaldo e Adriana fizeram pela primeira vez um show inteiro juntos. Gostaram da experiência e quiseram continuar, mas não estavam interessados em transformar três décadas de história em uma retrospectiva.

— Não nos atraía a ideia de fazer uma retrospectiva, só com sucessos e canções antigas. Queríamos material novo, que apontasse para frente. E foi assim que escrevemos o disco — conta Adriana.

O desejo de ter repertório novo acabou levando os dois de volta à composição. Para Arnaldo, o que aconteceu dali em diante teve a naturalidade de algo que já vinha sendo preparado havia muito tempo.

— É como se a nossa parceria estivesse esperando todos esses anos, desde “Para Lá”, para desabrochar de vez. Acho que esse processo foi marcado por uma admiração mútua, que permite expressar abertamente nossas afinidades e diferenças e perceber como elas acabam se complementando — diz.

Se “Para Lá” permaneceu durante duas décadas como a rara composição que unia os nomes de Arnaldo e Adriana numa mesma autoria, “Vice-Versa” muda essa história de uma vez. O que era uma canção virou repertório, disco e estrada.

Créditos: Érica Magni (texto) e Leo Aversa (imagem)

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