Ainda que tenha gravado uma canção dos Titãs em seu álbum de estreia, Adriana Calcanhotto só gravaria Arnaldo Antunes em seu segundo LP, “Senhas”. A canção em questão foi “Velhos e jovens”, parceria com Péricles Cavalcanti. A cantora voltaria a beber em Arnaldo no seu terceiro CD, “A fábrica do poema”, onde gravou “Estrelas”, do poeta com Sérgio Britto.
Afinidades nunca faltaram. A tão esperada parceria aconteceria com “Para Lá”, lançada por Arnaldo em “Qualquer” (2006) e regravada por Adriana em “Maré” (2008). Pois o sonho que certamente muitos fãs da dupla acalentavam virou realidade. Os dois artistas finalmente gravaram juntos – e um álbum com 11 faixas, sendo dez delas inéditas. “Vice-Versa” chega às plataformas nesta terça-feira (22).
Marisa Monte entra na parceria em “Na minha carne viva”, enquanto “Sorriso Livro”, da Timbalada, ganha nova leitura. Pupillo, ex-Nação Zumbi, assina a produção e também toca bateria e percussão.
“Vice-Versa” não ficará restrito ao disco. Em março de 2027, Arnaldo e Adriana caem juntos na estrada para uma turnê por seis cidades brasileiras. As novas músicas estarão no centro do espetáculo, realizado pela 30e com direção de arte a cargo de Daniela Thomas, responsável pela cenografia de “Tempo Rei”, última grande turnê de Gilberto Gil.
A virada começou no palco. Em 2024, Arnaldo e Adriana fizeram pela primeira vez um show inteiro juntos. Gostaram da experiência e quiseram continuar, mas não estavam interessados em transformar três décadas de história em uma retrospectiva.
— Não nos atraía a ideia de fazer uma retrospectiva, só com sucessos e canções antigas. Queríamos material novo, que apontasse para frente. E foi assim que escrevemos o disco — conta Adriana.
O desejo de ter repertório novo acabou levando os dois de volta à composição. Para Arnaldo, o que aconteceu dali em diante teve a naturalidade de algo que já vinha sendo preparado havia muito tempo.
— É como se a nossa parceria estivesse esperando todos esses anos, desde “Para Lá”, para desabrochar de vez. Acho que esse processo foi marcado por uma admiração mútua, que permite expressar abertamente nossas afinidades e diferenças e perceber como elas acabam se complementando — diz.
Se “Para Lá” permaneceu durante duas décadas como a rara composição que unia os nomes de Arnaldo e Adriana numa mesma autoria, “Vice-Versa” muda essa história de uma vez. O que era uma canção virou repertório, disco e estrada.
Créditos: Érica Magni (texto) e Leo Aversa (imagem)





